O grupo sul-africano Mr Price é a nova "vítima" da crise angolana

Novo JornalPublicado 16/08/2016 15:45:00

Mr Price é um grupo de venda a retalho sul-africano com forte ramificação internacional. Tem a Namíbia como o seu maior mercado fora de fronteiras. Ou tinha. Porque a crise afastou das suas lojas no país vizinho do Sul os milhares de angolanos, que, com bolsos cheios de dólares, despejavam as lojas. E as suas contas ressentiram-se fortemente este ano. Um relatório do grupo admite-o.

Com o mercado namibiano como o seu melhor palco de vendas fora da África do Sul, o grupo de venda a retalho sul-africano Mr Price está a sofrer significativamente com a crise angolana que retirou das suas lojas no país vizinho do Sul alguns milhares de clientes.

No seu relatório anual, o Mr Price aponta o mercado namibiano como o principal factor de desaceleração das suas vendas fora de portas, sublinhando que as suas lojas no país têm agora os cidadãos nacionais como principais clientes quando, até ao rebentar da crise em Angola por arrasto da queda do preço do petróleo, eram os angolanos que enchiam as filas das suas caixas de pagamento.

O documento centra-se na capital namibiana, Windhoek, onde os clientes angolanos ainda não desapareceram totalmente, mas estão longe dos números dos últimos anos e, especialmente, no volume de compras realizadas por indivíduo.

Um dos pontos enfatizados pelo relatório que abrange os anos de 2015-2016 é a questão das divisas, notando que o Mr Price está a sofrer as consequências das restrições impostas pelo Governo angolano à saída de divisas do país.

Este novo cenário, que começou a surgir com a queda do preço do barril de petróleo, acentua-se porquanto o anterior relatório do Mr Price tinha como referência um ano excepcional, que foi 2014-15, onde as vendas tinham, graças ao fluxo de clientes angolanos, crescido 21 por cento.

A imprensa namibiana, com algum humor, descreve a importância do corrupio de angolanos no país, sublinhando que, com os bolsos cheios de notas de dólar norte-americano, criavam a impressão que tudo o que era adquirido em dólares namibianos, tendia a parecer muito barato.

No documento do Mr Price, o grupo diz que antecipou um ano "mais desafiador" no que passou, mas não previu que o corrente seria tão "severo" por causa do colapso do mercado perolífero.

Este problema, agora admitido pelo Mr Price, é transversal a quase todo o comércio namibiano, que, segundo números revelados pelo The Namibian, levou a uma queda que pode ser, no seu pico, de mais de 30 por cento nas vendas.

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