O novo impulso para fazer de Mbanza Kongo património mundial da UNESCO

Novo Jornal/LusaPublicado 07/11/2016 16:21:00

Quase dois anos depois da formalização da candidatura de Mbanza Kongo a património mundial da UNESCO, a cidade da província do Zaire volta a estar sob foco, com a realização da "III Mesa Redonda Internacional sobre Mbanza Kongo, Cidade a Desenterrar para Preservar". O evento, que decorre até amanhã, foi hoje inaugurado pela ministra da Cultura, que apelou ao envolvimento de outros países no estudo da herança do antigo Reino do Kongo.

Foto: Quintiliano dos Santos

"Acreditamos que através desta reunião estaremos a ajudar a impulsionar a candidatura do Centro Histórico de Mbanza Congo para a sua inscrição na prestigiada Lista do Património Mundial", adiantou Carolina Cerqueira, na abertura da "III Mesa Redonda Internacional sobre Mbanza Kongo, Cidade a Desenterrar para Preservar", dedicada à história e património da antiga capital do Reino do Kongo.

Inaugurado pela ministra da Cultura, o encontro trouxe ao país vários especialistas internacionais - como o chefe da unidade africana no Centro de Património Mundial da Unesco, Edman Moukala e o director do Fundo para o Património Mundial africano no Congo Brazaville, Webber Ndoro -, para além de técnicos do sector, membros do governo provincial e representantes da sociedade civil, entre outros convidados.

Sobre a mesa está a discussão de temas como a evolução histórica do Reino do Kongo e a Preservação do Centro Histórico de Mbanza Kongo e os Novos Desafios.

Para aprofundar o debate, a ministra da Cultura defendeu o envolvimento de outros países que integravam o antigo Reino do Kongo na investigação à sua capital, Mbanza Congo. A governante referia-se à República Democrática do Congo, República do Congo e Gabão.

"Esses territórios, posteriormente independentes, constituem os herdeiros naturais dessas territorialidades e estruturas, possuindo cada um deles uma memória e uma história política, económica e social sobre o antigo Reino do Congo. Nesta conformidade, porque a memória e história constituem alguns dos alicerces fundamentais dos povos, justifica-se plenamente que ao reflectir sobre o passado, tanto quanto sobre o presente, tenhamos que fazê-lo em conjunto", disse Carolina Cerqueira.

"O facto de a cidade de Mbanza Congo estar situada em Angola, tem levado o Governo de Angola, através do Ministério da Cultura, a promover esforços no sentido dessa classificação. No entanto, parece-nos que os esforços ligados à investigação científica deste sítio histórico deveriam implicar uma maior concertação entre os nossos países que, em vez de fazer intervir unicamente os investigadores a título pessoal, deveria procurar inscrever acordos entre as universidades desses países, interessados na promoção da investigação científica sobre o Reino do Congo e sobre as suas comunidades no presente", prosseguiu a ministra.

Candidatura incompleta

A candidatura da cidade histórica de Mbanza Congo à classificação de património mundial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) foi desencadeada em 2014 e formalizada já em Janeiro de 2015, tendo sido considerada incompleta por aquele organismo internacional. Em causa esteve a falta de detalhes no mapa cartográfico que integrou a candidatura anterior.

O centro histórico de Mbanza Congo está classificado como património cultural nacional desde 10 de Junho de 2013, um pressuposto indispensável para a sua inscrição na lista de património mundial.

Envolve um conjunto cujos limites abrangem uma colina e que se estende por seis corredores. Inclui ruínas e espaços entretanto alvo de escavações e estudos arqueológicos, que envolveram especialistas nacionais e estrangeiros.

Os trabalhos arqueológicos realizados no local envolveram a medição da fundação de pedras descobertas no local denominado de "Tadi dia Bukukua", supostamente o antigo palácio real.

Passaram igualmente pelo levantamento da missão católica, da casa do secretário do rei, do túmulo da Dona Mpolo (mãe do rei Dom Afonso I, enterrada com vida por desobediência às leis da corte) e do cemitério dos reis do antigo Reino do Congo.

Dividido em seis províncias, o Reino do Kongo dispunha de 12 igrejas, conventos, escolas, palácios e residências.

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