Unidade Africana da UNESCO confiante no sucesso da candidatura de Mbanza Kongo a património da humanidade

Novo JornalPublicado 10/11/2016 14:55:00

O chefe da Unidade Africana da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), Edmund Moukala, disse hoje que Angola pode contar com o apoio dos especialistas desta agência da ONU que participam nos esforços de candidatura de Mbanza Kongo a património da humanidade para a realização desse objectivo.

Foto: Quintiliano dos Santos

Em declarações à imprensa após um encontro com Manuel Vicente, Vice-presidente angolano, Edmund Moukala adiantou que a integração da antiga capital do Reino do Kongo na lista do património da humanidade é algo que agrega não só o interesse de Angola mas também dos países da região outrora integrados neste território, Congo-Brazzaville, Congo-Democrático e Gabão.

Este englobar dos países vizinhos na rede de influências que procuram tornar realidade o desejo antigo de meter Mbanza Kongo, actual Mbanza Congo e capital da província angolana do Zaire, na lista de locais construídos com estatuto de património da humanidade, surge no seguimento do anúncio feito pela ministra da Cultura do trabalho dos quatro países que está em curso para a prossecução desse objectivo.

Moukala está em Angola porque foi um dos participantes na III Mesa Redonda Internacional sobre o tema, realizada na cidade candidata nos últimos dias, com a ordem de trabalhos dominada entrada do processo da candidatura feita em Janeiro deste ano e que deverá ficar concluída ao longo de 2017.

Edmund Moukala salientou a importância das sinergias permitidas pelo envolvimento dos países vizinhos, nomeadamente a questão da dinâmica sub-regional, deixando perceber que a Unidade Africana e a própria UNESCO, no conjunto, são sensíveis à demonstração das consequências a jusante desta candidatura, com destaque para as questões económicas, como, por exemplo, o aproveitamento conjunto do potencial turístico, sem ignorar a vertente cultural e patrimonial.

A candidatura de Mbanza Kongo/Reino do Kongo ganhou corpo em 2007, com a realização da II Mesa Redonda sobre o tema

Candidatura incompleta

A candidatura da cidade histórica de Mbanza Congo à classificação de património mundial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) foi desencadeada em 2014 e formalizada já em Janeiro de 2015, tendo sido considerada incompleta por aquele organismo internacional. Em causa esteve a falta de detalhes no mapa cartográfico que integrou a candidatura anterior.

O centro histórico de Mbanza Congo está classificado como património cultural nacional desde 10 de Junho de 2013, um pressuposto indispensável para a sua inscrição na lista de património mundial.

Envolve um conjunto cujos limites abrangem uma colina e que se estende por seis corredores. Inclui ruínas e espaços entretanto alvo de escavações e estudos arqueológicos, que envolveram especialistas nacionais e estrangeiros.

Os trabalhos arqueológicos realizados no local envolveram a medição da fundação de pedras descobertas no local denominado de "Tadi dia Bukukua", supostamente o antigo palácio real.

Passaram igualmente pelo levantamento da missão católica, da casa do secretário do rei, do túmulo da Dona Mpolo (mãe do rei Dom Afonso I, enterrada com vida por desobediência às leis da corte) e do cemitério dos reis do antigo Reino do Congo.

Dividido em seis províncias, o Reino do Kongo dispunha de 12 igrejas, conventos, escolas, palácios e residências.

Critérios

Todos os locais candidatos a património da humanidade são propostos pelos países onde se encontram e os critérios actuais para que uma candidatura seja bem sucedida são os seguintes:

Representar uma obra-prima do génio criativo humano.

Mostrar um intercâmbio importante de valores humanos, durante um determinado tempo ou em uma área cultural do mundo, no desenvolvimento da arquitectura ou tecnologia, das artes monumentais, do planeamento urbano ou do desenho de paisagem.

Mostrar um testemunho único, ou excepcional, de uma tradição cultural ou de uma civilização que está viva ou que tenha desaparecido.

Ser um exemplo de um tipo de edifício ou conjunto arquitectónico, tecnológico ou de paisagem, que ilustre significativos estágios da história humana.

Ser um exemplo destacado de um estabelecimento humano tradicional ou do uso da terra, que seja representativo de uma cultura (ou várias), especialmente quando se torna(am) vulnerável(veis) sob o impacto de uma mudança irreversível.

Estar directamente ou tangivelmente associado a eventos ou tradições vivas, com ideias ou crenças, com trabalhos artísticos e literários de destacada importância universal.

Conter fenómenos naturais excepcionais ou áreas de beleza natural e estética de excepcional importância.

Ser um exemplo excepcional representativo de diferentes estágios da história da Terra, incluindo o registro da vida e dos processos geológicos no desenvolvimento das formas terrestres ou de elementos geomórficos ou fisiográficos importantes.

Ser um exemplo excepcional que represente processos ecológicos e biológicos significativos da evolução e do desenvolvimento de ecossistemas terrestres, costeiros, marítimos ou aquáticos e comunidades de plantas ou animais.

Conter os mais importantes e significativos habitats naturais para a conservação in situ da diversidade biológica, incluindo aqueles que contenham espécies ameaçadas que possuem um valor universal excepcional do ponto de vista da ciência ou da conservação.

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