Rádios encerradas à força na Gâmbia no meio de tenso processo de transição política

Novo JornalPublicado 06/01/2017 10:07:00

O Comité para a Protecção dos Jornalistas (CPJ) e a Federação Internacional de Jornalistas (IFJ) denunciaram o encerramento forçado de três rádios na Gâmbia e exigiram às autoridades do país para garantirem condições para a sua reabertura.

As rádios Taranga FM, a Hilltop Radio, e a Afri Radio foram encerradas no dia 01 de Janeiro por ordem de agentes policiais sem que tenham sido, segundo o CPJ, avançadas quaisquer justificações.

A Gâmbia vive momentos conturbados depois de Yahya Jammeh ter protagonizado um volte-face esquisito na forma como lidou com a derrota eleitoral, em Dezembro, tendo, primeiro, aceitado a vitória do seu opositor, Adama Barrow, e, dias depois, retirado a aceitação, acusando o Presidente eleito de fraude, exigindo novas eleições, colocando as forças de segurança a controlar as ruas ao mesmo tempo que assumiam o poder na comissão eleitoral.

O encerramento das três rádios aconteceu pouco depois de Adama Barrow ter anunciado as suas intenções de assumir o poder, como a Constituição prevê, a 19 de Janeiro, facto noticioso que os jornalistas das emissoras divulgaram nos serviços noticiosos regulares.

Recorde-se que a Gâmbia está actualmente sob pressão da CEDEAO (Comunidade Económica da África Ocidental), havendo mesmo a ameaça de intervenção armada no país caso Jammeh não retroceda na sua intenção de manter o poder pela força, através do Exército e da Polícia, sobre as quais mantém um apertado controlo.

"O Governo da Gâmbia decidiu censurar as rádios num claro esforço para limitar o acesso à informação por parte da população do país durante este período de transição política", acusa o representante do CPJ na África Ocidental.

Peter Nkanga adianta, em documento enviado ao Novo Jornal Online pelo CPJ, que as autoridades gambianas devem "imediatamente e sem condições" permitir a reabertura das estações de rádio bem como deixarem de "pressionar e condicionar o exercício de informar" por parte dos jornalistas no país.

Por parte da IFJ, o seu presidente, Philippe Leruth, lembra que "o pluralismo na imprensa é essencial como parte da democracia e o encerramento de rádios independentes, sem justificação, e um sinal muito negativo. Exigimos, por isso, que as autoridades gambianas procedem de imediato à retoma do funcionamento normal das emissões destas rádios, sem condições".

Das três rádios encerradas à força, apenas a Afri Radio foi autorizada, no dia 03, a retomar as emissões, mas apenas para dar música.

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