"Terra Nova", o bairro de que o GPL se esqueceu

Gaspar FaustinoPublicado 11/01/2017 14:46:00

O bairro Terra Nova, no distrito do Rangel, ficou entalado e esquecido entre os bairros Tala Hadi e Indígena, pelo GPL nas intervenções feitas há dois anos. De um lado, o bairro Tala Hadi viu as suas ruas recuperadas, a iluminação pública reposta e a água potável voltou às casas. O mesmo no bairro Indígena. Os moradores do Terra Nova questionam o porquê de terem sido esquecidos e continuarem com as ruas esburacadas, sem luz pública e sem água nas torneiras.

Basta passar pelo bairro Terra Nova para perceber que as suas ruas estão quase intransitáveis, a iluminação pública não existe e da água que deveria correr nas torneiras há mais de um ano que não pinga uma gota.

Mas a surpresa será maior se se comparar este bairro, do distrito do Rangel, com os bairros vizinhos do Tala Hadi e Indígena, que viram as suas ruas asfaltadas devidamente, o saneamento básico recuperado, a iluminação pública voltou a afastar o escuro das suas artérias e a água regressou às torneiras.

A pergunta que as pessoas que habitam este bairro colocam é porquê? Porque é que foram esquecidos pelo Governo Provincial de Luanda (GPL) quando, há cerca de dois anos, fez intervenções significativas nos bairros vizinhos, mesmo que um deles, o de Tala Hadi pertença ao município do Cazenga?

O Novo Jornal Online procurou, em vão, junto do GPL uma resposta para as questões dos habitantes do bairro Terra Nova. E a administração do bairro também não fala porque diz que é o GPL que tem de se pronunciar.

Retrato falado do Terra Nova

De acordo com os moradores do bairro Terra Nova, o estado de degradação das ruas de Macau, Alentejo e Henrique Gago da Graça, consideradas das mais movimentadas na circunscrição, por darem acesso à Avenida Deolinda Rodrigues, encontram-se cheias de buracos e lixo, colocando em risco a saúde dos seus moradores.

As queixas vão ainda para as águas estagnadas, que dizem ser responsáveis pelo elevado número de doenças que a área regista, especialmente agora na época das chuvas.

Rui Yaba, morador da zona há mais de trinta anos, garante que a administração do bairro está a par da situação, até porque passam nas mesmas ruas todos dias, mas lamenta que a população não possa fazer nada "porque tudo depende das instituições superiores".

Os moradores lamentam ainda que o seu bairro tenha apenas sido sujeito a uma pequena operação de cosmética, quando uma empresa chinesa alisou as estradas que, pouco tempo depois, já tinham regressado ao mesmo, com buracos por todo o lado, enquanto nos bairros vizinhos as intervenções foram profundas e duradouras.

Paludismo aumenta

Os moradores garantem que o excesso de lixo está a provocar o aumento de mosquitos na zona e que é isso que está a causar um grande número de casos de paludismo, como sublinha Josefa Cassule, que questiona ainda como que os seus filhos poderão sobreviver a estes problemas.

Indignado está também o chefe da comissão de moradores da Terra Nova, António Cadete, porque a situação é grave e garante que já apelou à administração do distrito para que seja feita alguma coisa, mas há mais de dois anos que não tem resposta.

António Cadete sustenta que os moradores têm feito muito para a melhoria do bairro, só que o melhor é possível fazer, está longe de ser o suficiente.

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