Ao governador do BNA: Sabe o que é ter a cirurgia cancelada porque o cartão VISA do banco angolano não funciona, mesmo com o plafond máximo!?

Carlitoz de KambambePublicado 12/01/2017 12:14:00

Camarada Governador, esperamos que esteja tudo bem consigo, visto que nós não vamos bem de saúde. Enviamos este fax porque estamos muito preocupados com as divisas que os bancos não nos vendem para viajar, mesmo sabendo do nosso mau estado de saúde.

Foto: Quintiliano dos Santos

(Parte 2: Doentes)

Tal como milhares de conterrâneos nossos, todos os anos sou obrigado a deslocar-me ao estrangeiro por razões de saúde (Barcelona para visão; Windhoek, clínica geral e repouso; África do Sul, urologia, fertilidade e cardiologia; Cuba para outras especialidades, como ortopedia, oncologia e respiração; sem esquecer a Tuga nossa de cada dia)!

Viajo não por banga ou estilo, mas sim porque os nossos serviços de saúde públicos e privados não nos deixam alternativa em face da péssima qualidade que os mesmos prestam aos pacientes que se deslocam a essas instituições em busca de algum alento ou, pelo menos, atendimento com alguma réstia de humanismo, sem esquecer os altos preços cobrados pelas consultas, exames e outros serviços nas clínicas privadas, sem haver reflexo na qualidade ou ainda o desleixo no (não) atendimento que nos oferecem nos hospitais públicos.

Para ter uma ideia, o que gasto em Barcelona ou Windhoek nas consultas, exames e tratamentos cá serviria provavelmente para a primeira consulta, sem exames nem nada, e sem ter a certeza que o diagnóstico e o respectivo tratamento são os mais acertados.

Como vê, é mesmo necessidade extrema que nos faz embarcar comos nossos kofeles recursos para gastá-los em outros países em desprimor do nosso, onde o dinheiro tem feito muita falta. No estrangeiro, fora a saúde, pagamos ainda alojamento, transporte, tradutor, alimentação e comunicação.

No entanto, a rede bancária nacional nos tem criado sérios obstáculos quando solicitamos divisas para nos deslocarmos para o exterior com vista a tratarmos da nossa saúde e alongarmos um pouco mais a nossa esperança de vida, algo que não seria possível se nos limitássemos a aceitar o (des)tratamento médico que nos têm oferecido cá em Angola. Sabe o que é ter um parente seu a soçobrar na mesa da sala de operações e ter a cirurgia cancelada porque o cartão VISA de um banco angolano não funciona, mesmo tendo sido carregado com o plafond máximo permitido!? Sabe que é ser posto na rua por falta de pagamento de quarto de hotel porque o VISA não funcionou?

(Este artigo de opinião dá continuidade à "Carta Primeiro dos Estudantes", publicada na edição de 22 de Dezembro de 2016, e pode ser lido na íntegra na edição semanal nº 464 do Novo Jornal, nas bancas, ou em edição digital, que pode pagar via Multicaixa)

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