O museu angolano que bate recordes de visitas

Álvaro VictóriaPublicado 03/02/2017 16:17:00

No ano passado, 11.827 pessoas, entre nacionais e estrangeiros, visitaram o museu dos Reis do Kongo, na cidade de Mbanza Kongo, capital da província do Zaire. A cifra representa uma subida para mais do triplo dos valores registados em 2015, ano encerrado com 3.409 visitas.

Foto: Quintiliano dos Santos

Os surpreendentes números representam um aumento de 8.418 visitantes em relação ao ano de 2015, sendo, por conseguinte, um novo recorde nos registos de visitas àquele monumento cultural da província.

A candidatura da cidade de Mbanza Kongo a património histórico do mundo é vista pelos responsáveis da província como um dos motivos que elevou no ano transacto o número de visitas ao museu.

Citado pela agência Angop, o chefe do Departamento do Património Histórico-Cultural da Direcção Provincial da Cultura disse que a cifra prevista para o período em destaque era de cinco mil visitantes, tendo este número sido dobrado e ultrapassado as expectativas das autoridades locais.

Luntadila Lunguana referiu que o carácter sagrado e excepcional dos monumentos e sítios históricos de Mbanza Kongo despertou também o interesse e curiosidade dos visitantes ao Museu dos Reis do Kongo.

O referido museu dispõe de 114 peças que retratam a vida dos antigos soberanos do então Reino do Kongo.

O Império do Kongo, como também era chamado, foi um reino localizado no Sudoeste de África, fundado por Ntinu Wene, no século XIII.

O museu passou a constar do calendário de eventos culturais da cidade, devido à sua importância histórica. Encontros, curiosidades, troca de impressões e leituras entre visitantes preenchem frequentemente o seu diário de registos.

O museu detém um acervo constituído na sua maioria por objectos de uso pessoal dos últimos reis, entre os quais D. Pedro V, o Ntotela Ntinu Nekongo, que já reinava em 1878.

Embora tenha sido criado logo nas primeiras décadas após a Independência, o Museu dos Reis do Kongo nunca viu a sua missão definida nem o seu estatuto reconhecido por um diploma legal.

Conta com seis salas temáticas, a primeira dedicada às migrações, fixação, distribuição e composição dos Povos Kongo. A segunda aborda o território e limites do antigo Reino Kongo e a terceira, a organização sociopolítico e económica Kongo. A quarta sala dá uma panorâmica sobre a evolução histórica da cidade de Mbanza Kongo como capital do Reino e, nas restantes salas, a vida de um soberano Kongo foi o antigo Palácio dos Reis do Kongo.

A par do acervo, o museu alberga ao seu redor simbolismos relevantes da história, como a aclamada árvore Yala Nkuwu, o local onde se realizavam julgamentos, designados na língua materna kikongo, que, apesar de real, é tida como sagrada e, ao mesmo tempo, secreta. Um procedimento que, segundo relatos do director do museu, Biluka Nsonkala, se conserva até aos nossos dias. É classificado Património Histórico-Cultural, através do Despacho Ministerial n.º 95 de 18 Abril de 1995, a área de tratamento do cadáver do Rei, o local onde o corpo do Rei aguardava as exéquias oficiais e, por último, o cemitério dos reis. Todos estes locais estão intimamente ligados ao Palácio Real.

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