Investigação Lava Jato: Negócio com ex-chefe do Estado-Maior de Angola no centro de novas suspeitas de corrupção

Novo JornalPublicado 26/02/2017 9:36:00

A justiça brasileira investiga uma negociação entre a Petrobras e uma empresa do general João Baptista de Matos, ex-chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas Angolanas, por suspeitas de corrupção, que envolvem o lançamento de um projecto de bio combustível em Cabo Verde.

Foto: DR

A Procuradoria da República do Brasil está a passar a pente fino as ligações entre a petrolífera estatal brasileira Petrobras e a empresa angolana Genius Gestão de Participações LDA, associada ao general João Baptista de Matos, ex-chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas Angolanas.

Na base da investigação está um memorando de entendimento celebrado em Setembro de 2009 para instalação, em Cabo Verde, de uma planta de processamento e desidratação de etanol.

O negócio, segundo avança o jornal O Estado de S. Paulo, despertou a desconfiança das autoridades brasileiras desde logo pela omissão do nome da firma angolana nesse documento, do qual constam vários campos em branco.

Perante este vazio de informação, o Ministério Público Federal adianta que solicitou à Petrobras a identificação das partes envolvidas no negócio, para apurar se o mesmo deu lugar à assinatura de um contrato e, nesse caso, investigar eventuais irregularidades.

Na sequência do pedido, a petrolífera brasileira informou que esse memorando de entendimento foi celebrado com a empresa angolana Genius Gestão de Participações LDA, "tendo como objectivo o estudo de viabilidade para a construção pela Genius de uma planta de processamento e desidratação de etanol em Cabo Verde".

Der acordo com O Estado de S. Paulo, o compromisso firmado previa também a utilização pela Petrobras dessa planta para operação de desidratação de etanol, combustível hidratado de origem brasileira, com posterior comercialização do produto no mercado europeu.

"No entanto, não foi assinado entre as empresas o contrato decorrente do referido protocolo, diante de questões tributárias", concluíram os investigadores, citados pelo diário brasileiro.

Apesar de o projecto não ter avançado, os procuradores da Lava Jato suspeitam que o início de negociações entre a Petrobras e a empresa vinculada ao general João Baptista de Matos só aconteceu graças ao pagamento de subornos.

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