Recém-nascido desaparece na maternidade Lucrécia Paim

Gaspar FaustinoPublicado 28/02/2017 13:17:00

Uma mulher, grávida de gémeos, deu à luz um dos bebés num posto de saúde do bairro Terra Nova, e o nascimento do segundo, devido a complicações, teve de ser na maternidade Lucrécia Paim, em Luanda, onde terá nascido morto, mas, oito dias depois, os pais ainda não viram o corpo do filho.

Foto: César Muginga

O desaparecimento misterioso deste bebé levanta muitas dúvidas aos progenitores que insistem em querer saber o que realmente se passou, exigindo provas de que o filho morreu e estão dispostos a tudo para serem esclarecidos, como explicaram ao Novo Jornal online, sem margem para dúvidas.

A Directora-clinica da maternidade Lucrécia Paim, Manuela Sotto Mayor (na foto), garantiu que não existe qualquer mistério, explicando que o bebé nasceu sem vida.

"Está senhora realizou o primeiro parto num centro de saúde do seu bairro e foi transferido para a nossa instituição devido à situação complicada em que se encontrava, porque o bebe já estava morto dentro do seu ventre", notou a médica, fazendo questão de manifestar a sua estranheza pelas dúvidas manifestadas pelo pai, porque este "já sabia que a criança tinha nascido morta e que a sua esposa chegou a esta unidade com muitas complicações".

No entanto, de acordo com pai da criança, Hermenegildo Zua, as coisas não correram bem porque houve falhas nos serviços médicos prestados à sua mulher.

"A minha mulher estava grávida de gémeos e, no momento em que ela começou a sentir a dor, fomos ao centro de saúde da Terra Nova, (Beiral), aonde realizaram o primeiro parto, no segundo parto surgiram algumas complicações e acharam melhor lhe transferir para a maternidade Lucrécia Paim", contou Hermenegildo Zua.

Acrescentou que quando a sua esposa tinha dado a luz o segundo filho, na maternidade Lucrécia Paim, contactou as parteiras para saber em que estado se encontrava o recém-nascido e a mãe, mas as parteiras não sabiam explicar o ocorrido.

"Depois de ter consultado, durante a madrugada, várias enfermeiras para saber sobre o estado do meu filho e da minha esposa ninguém conseguia dar-me uma resposta credível, mas uma enfermeira garantiu que os dois bebés estavam de boa saúde", disse.

Para a sua admiração, contou, Hermenegildo Zua, no dia seguinte recebeu a informação de que o seu segundo filho tinha nascido morto, mas ninguém conseguia dizer-lhe o lugar onde se encontrava o corpo.

O jovem pai não sabia o que estaria a acontecer devido à falta de informação por parte da direcção do hospital, uns diziam que o bebe estava vivo, outros argumentavam que o mesmo nasceu morto, o certo é que Hermenegildo Zua não conhece o rosto do seu filho até agora, quase oito dias depois de ter nascido.

"Elas dizem que o corpo do meu filho está na casa mortuária da maternidade, mas ninguém consegue mostrar o cadáver", lamenta.

O pai garante agora que só vai poder descansar e fazer o luto pelo filho quando o corpo for encontrado e depois de ter acesso a um teste de paternidade de forma a que não restem dúvidas de que é mesmo o seu filho.

"Não posso realizar nenhum funeral, não sei se estarei mesmo a enterrar o meu filho ou de outra pessoa, nunca vi o corpo da criança e não entendo porque é que a direcção do hospital está a ocultar o paradeiro do meu filho", afirmou.

Por parte da maternidade Lucrécia Paim, a resposta permanece a mesma, afirmando que o segundo filo deste casal já nasceu sem vida e que tudo foi feito do ponto de vista médico para que o desfecho tivesse sido outro.

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