Coreia do Norte pode estar a abrir caminho à guerra com lançamento de mísseis balísticos para mar Japonês

Novo JornalPublicado 06/03/2017 11:46:00

A Coreia do Norte testou quatro mísseis balísticos com capacidade nuclear e três destes acabaram por cair em águas territoriais japonesas. Isto, quando decorrem os maiores exercícios militares envolvendo a Coreia do Sul e os EUA. As ameaças sucedem-se e cresce o receio de um conflito aberto que pode ter dimensão global.

O primeiro-ministro japonês foi claro na resposta aos três mísseis balísticos, com potencial capacidade nuclear, lançados pela Coreia do Norte para água territoriais japonesas: "Não podemos, de forma nenhuma, tolerar isto".

À reacção inicial japonesa, pela voz do primeiro-ministro Shinzo Abe, seguiu-se a constituição de uma "task force" diplomática que agrega o Japão, os Estados Unidos da América e a Coreia do Sul, confirmando em escassas horas uma resposta inicial que passa pelo aumento das sanções contra a Coreia do Norte.

O lançamento destes quatro mísseis, três dos quais voaram cerca de mil quilómetros até águas territorialmente inseridas na Zona Económica Especial do Japão, constitui uma nova escalada na forte tensão existente na península coreana, e seguiram-se ao arranque, na semana passada, dos maiores exercícios militares de sempre na região, agregando forças sul-coreanas e norte-americanas.

Recorde-se que as duas coreias, do Norte e do Sul, permanecem oficialmente em estado de guerra desde 1953, quando, ao fim de três anos de guerra entre os dois países, o Norte apoiado pela China, e a do Sul, pelos EUA e Reino Unido, foi assinado um armistício mas sem que a este se seguiu-se a assinatura de num tratado de paz.

Durante décadas, o Paralelo 38, que divida as duas coreias permaneceu, até hoje, como linha de tensão, que aumentou desde que na última década ficou claro que Pyongyang detém poder nuclear e se sucedem os ensaios de mísseis capazes de transportar ogivas nucleares.

Actualmente sucedem-se as ameaças de destruição mútua entre Seul e Pyongyang, mantendo-se os aliados de um de outro os mesmos que suportaram a guerra no início da década de 1950.

Mas hoje foi dado um passo mais para a deflagração de uma guerra aberta entre os dois lados do Paralelo 38, com estes mísseis lançados pelo Norte e os exercícios militares do Sul com os EUA que Pyongyang já afirmou tratar-se do prelúdio de uma invasão.

Para fazer face a esta nova escalada da tensão, os EUA, o Japão e a Coreia do Sul anunciaram o reforço da cooperação militar e diplomática, fazendo notar que o objectivo é acabar com as provocações da Coreia do Norte.

Como pano de fundo a este cenário bélico, está a afirmação recente do Presidente norte-coreano Kim Jong-un, onde descreve os novos mísseis testados como podendo alcançar os Estados Unidos da América com cargas nucleares.

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