Espiões angolanos infiltrados em bancos portugueses? Justiça portuguesa investiga

Novo JornalPublicado 09/03/2017 14:02:00

O Ministério Público de Portugal tem em mãos um documento com dados do SINFO que sugerem a existência de agentes infiltrados no sistema financeiro português. As suspeitas assentam no alegado acesso de espiões angolanos a dados bancários de empresas e particulares, recolhidos no âmbito de uma investigação sobre uma burla de 180 milhões de dólares ao Estado angolano.

Foto: DR

O desvio de 180 milhões de dólares do Tesouro de Angola, proveniente de impostos petrolíferos, transferidos entre 2007 e 2009, levou os serviços secretos (SINFO) a seguir o rasto do dinheiro nos bancos portugueses, diligências que conduziram à recolha de dados cuja confidencialidade sugere o recurso a "toupeiras". Ou seja: os espiões infiltrados no sistema financeiro luso.

A informação é avançada pela revista Sábado, que, na edição que hoje saiu para as bancas, divulga excertos de um relatório apresentado pela defesa do Estado angolano ao Ministério Público de Portugal, no âmbito do processo aberto na justiça portuguesa para investigar essa burla.

O documento de 25 páginas, recheado de informação confidencial, confirma o recurso por parte do SINFO a "relações de inteligência e contactos tanto a nível interno, como externo", para dar "cumprimento a orientação superior", tendo em vista o acesso a "todas as informações que pudessem ajudar a PGR a responsabilizar os autores materiais da fraude".

Embora se reconheça que as "pontes" externas sejam prática habitual na actividade das secretas, a Sábado sublinha que o conteúdo desse relatório - onde se incluem números de cheques passados e até dados como contas de email e informações pessoais de familiares -,"revela que os espiões teriam facilidades de acesso aos registos angolanos sobre montantes de transferências e contas de destino em Portugal".

De acordo com a publicação lusa, o documento refere, entre outras movimentações realizadas em território português, que os "agentes vigiaram de forma discreta diversos locais onde julgavam estar sediadas algumas das empresas suspeitas".

Uma das firmas visadas pelas investigações foi a portuguesa Bisacar, Lda, sinalizada por uma transferência suspeita de 16,8 milhões de dólares.

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