Março, Mulher, e Desenvolvimento - deficit de reflexão sobre os constrangimentos que as mulheres enfrentam

Sérgio Calundungo*Publicado 13/03/2017 13:27:00

Março é aquele mês em que por todo país se realizam homenagens, marchas, conferências, debates, reuniões com o propósito de discutir, destacar e enaltecer o papel e os feitos das mulheres na sociedade.

Foto: Arquivo Novo Jornal


Muitas das celebrações não passam de eventos festivos e, quando muito, comerciais, porque nessa data, muito distante do espírito das operárias grevistas do 7 de Março de 1917, pessoas e instituições fazem apenas o que consideram ser "politicamente correcto".

No dia 8 de Março, a julgar pela forma como muitas instituições, personalidades e até celebridades nacionais falaram acerca das conquistas sociais, políticas e económicas das mulheres, verifiquei em regra geral um deficit de reflexão sobre os desafios e constrangimentos que as mulheres enfrentam na vida diária por vivermos num mundo e num país altamente machista. Tais constrangimentos acabam por condicionar o nosso desenvolvimento económico.

Quase ninguém explica as razões para a existência de discriminação salarial entre homens e mulheres em muitas instituições; não se fala com a devida acutilância das dificuldades que as mulheres rurais enfrentam para exercer o seu direito de acesso, utilização e posse dos meios de produção, incluindo o acesso à terra; muito menos se diz como vamos resolver o problema das jornadas excessiva de trabalho e das desvantagens na carreira profissional simplesmente por ser do sexo feminino.

Segundo os dados do censo populacional de 2014, a maior parte da população angolana é do sexo feminino, mas elas estão sub-representadas como força de trabalho especializada em áreas tais como tecnologias de informação, agricultura, ensino técnico profissional, sem falar do escasso número de Presidentes dos Concelhos de Administração das principais empresas públicas e privadas existentes no país.

Muito foi conquistado por elas, mas muito ainda há para ser alcançado. E no nosso país em particular, mais do que discursos, eu acredito que alguns gestos concretos poderiam ser bem apreciados por homens e mulheres de boa vontade. Porque, mais do que palavras, são os gestos que fazem a diferença.

*Coordenador do Observatório Político e Social de Angola

(Leia este artigo de opinião na íntegra na edição n.º473, nas bancas, e também disponível por assinatura digital, que pode pagar no MultiCaixa)

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