Presidente da Namíbia avisa que há quem queira ver o país "a explodir em chamas"

Novo JornalPublicado 13/03/2017 14:07:00

O Presidente da Namíbia advertiu para a possibilidade de o país poder "explodir em chamas", tal como aconteceu noutros locais se a paz e a estabilidade forem minadas por interesses relacionados com, entre outras questões ligadas à posse das terras.

Hage Geingob deixou este aviso, que apanhou muitos desprevenidos, num comício da Swapo, em Keetmanshoop, onde vincou a ideia de que o desenvolvimento "só pode ser conseguido se houver paz e estabilidade", defendendo que "as pessoas não se podem cansar da paz".

O Presidente Geingob admite que exista quem o ridicularize quando fala da importância de manter a paz "tão duramente conquistada", mas deixou bem claro neste comício, com centenas de pessoas a assistir, que a Namíbia "não conseguirá aguentar o caos político e instabilidade social", como "aconteceu noutros países que estão agora em ruínas".

"Não brinquem com o fogo, camaradas!", advertiu Hage Geingob, dando como exemplo o que se passou na Líbia ou na Síria.

"Nesses países surgiram facções e deram cabo da paz, com terríveis consequências para o povo", disse, garantindo que a Namíbia não conseguirá suportar uma situação similar: "Olhem para a Líbia, onde os americanos foram para derrubar Kadhafi mas tarde a chegar quem devola a paz ao país".

"Vejam o que aconteceu ao Iraque, à Síria ou à Líbia!! O que têm eles hoje? Apenas fome, crianças a morrer à fome... É isto que querem" para a Namíbia?, questionou Geingob, embora este país seja visto pela comunidade internacional como um dos mais pacíficos do continente africano.

Geingob apontou o dedo a "certos indivíduos" que estão apostados na destruição do país, mas garantiu que não vai "ficar sentado a assistir a estas tendências destrutivas", prometendo defender "o que tanto custou a obter".

Aconselhou os membros do partido a irem "revisitar" os estatutos e a familiarizarem-se com os seus objectivos para poderem medir bem as suas acções, porque a Swapo, "não acredita nem suporta discriminações, sendo princípio basilar "não deixar ninguém de fora", a não ser que se trate de "criadores de problemas".

Afirmando-se como o alvo dos que procuram criar problemas no país, Hage Geingob lembrou que foi eleito para cinco anos e que não pode estar a ser questionado quando apenas passaram dois anos do seu mandato.

"Ainda tenho três anos para provar que não falhei. Por isso, deixem de interferir", avisou.

Deixando sinais de que o ou um dos problemas que aponta como estando a ser criados internamente são questões de terras - assunto que está no centro da actualidade política na Namíbia -, Geingob garantiu que o seu Governo "não tirou nem quer tirar terras a ninguém".

"As terras ancestrais foram roubadas em 1904 (referência à expulsão e massacre de milhares de pessoas por parte de soldados coloniais alemães). A Swapo estava lá?", indagou em tom crítico, sublinhando que não se houve ninguém dizer que "os brancos possuem as terras... Eles apenas têm problemas com outros negros"

"Quando dizemos que não é a Swapo ou Hage Geingob que trouxe a pobreza, é porque se trata de pobreza histórica. Há quem diga que queremos culpar o apartheid, mas o apartheid deve ser acusado, porque temos desigualdades estruturais no país e isso é resultado do apartheid!", acusou.

Embora não o tenha referido, as questões relacionadas com as terras têm no Zimbabué um bom exemplo daquilo que podem provocar, porque na última década, também o Governo do partido histórico Zanu-PF, de Robert Mugabe, entrou num processo de expulsão de antigos fazendeiros, na sua maioria brancos, levando a que o país entrasse num ciclo de escassez de alimentos como nunca tinha enfrentado até então.

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