Cobalt ameaça entrar em litígio com Sonangol: Norte-americanos reclamam devido à anulação de negócio de 1,5 mil milhões USD

Novo JornalPublicado 14/03/2017 15:05:00

A Cobalt Internacional lançou uma espécie de ultimato à Sonangol, avisando que não vai investir mais em Angola e ameaçando entrar em litígio se a petrolífera nacional não desbloquear "em tempo útil" o negócio de 1,5 mil milhões de dólares, referente à venda da participação da empresa norte-americana em dois blocos angolanos.

Foto: Duarte Villas

De acordo com a Natural Gas World Magazine, publicação especializada no mercado energético, os norte-americanos da Cobalt Internacional notificaram a Sonangol, no passado dia 8 de Março, sobre a decisão de levar o processo da venda da sua participação nos blocos 20 e 21 - um dos quais já referenciados pelas reservas de gás - a uma instância de arbitragem.

Em causa está o facto de a petrolífera nacional ter desistido da compra, depois de ter assumido que pagaria 1,5 mil milhões de dólares pela aquisição de 40% das acções desses dois blocos no 'offshore' ao largo de Luanda.

Numa fase inicial o negócio não se concretizou por falta de aval do Governo, e depois devido ao processo de reestruturação da petrolífera nacional, conduzido pela administração de Isabel dos Santos.

O recuo da Sonangol deveria no entanto ter sido compensado pela entrada de uma terceira parte na transacção, algo que não se verificou até ao fim do prazo - final de Agosto de 2016 - que tinha sido definido para concluir a operação.

Diante deste impasse, a Cobalt informa que registou prejuízos de 1,63 mil milhões de dólares em Angola em 2016, desempenho traduzido, globalmente, numa perda de 1,87 mil milhões de dólares no último trimestre do ano - quando no período homólogo esse valor tinha sido de 486,8 milhões de dólares.

Neste cenário, a companhia norte-americana avisa que "se a Sonangol não resolver este assunto em tempo útil e de forma satisfatória para a Cobalt, a empresa pretende avançar para a arbitragem", reafirmando contudo a disponibilidade para um acordo amigável.

Para além disso, a petrolífera dos EUA informa que "não pretende fazer mais nenhum investimento material em Angola", enquanto a questão não for solucionada.

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