Angola entre os três piores países do mundo no acesso a água potável

Novo JornalPublicado 20/03/2017 15:55:00

A cada dia morrem 4.500 crianças em todo o mundo devido à falta de água potável, problema que afecta pelo menos 923 milhões de pessoas no globo (12% da população mundial), sobretudo da Ásia (554 milhões), África Subsaariana (319 milhões) e América do Sul (50 milhões), alerta o Conselho Mundial da Água (WWC na sigla em inglês), que coloca Angola entre os três países do mundo com menor acesso ao "líquido precioso".

Foto: DR

Apenas 48% da população nacional tem acesso a água potável, percentagem que coloca Angola entre os três piores países do mundo neste domínio. Segundo o Conselho Mundial da Água, só os cidadãos da Papua Nova Guiné (40%) e da Guiné-Equatorial (49%) estão em situação mais difícil dos que os angolanos no acesso ao "líquido precioso".

Os dados constam de um comunicado distribuído a propósito do Dia Mundial da Água, que se assinala na próxima quarta-feira, 22, e alertam para os efeitos fatais da falta de água potável, responsável por 3,5 milhões de mortes por ano, incluindo de 4.500 crianças por dia.

O impacto, que supera o número de mortes por acidentes de viação e SIDA, em conjunto, fixa "o custo total da insegurança da água para a economia global em 500 mil milhões de dólares", indica o WWC.

Segundo o Conselho - que reúne mais de 300 entidades de 50 países -, se ao custo económico se juntar o custo ambiental, o peso deste problema pode representar 1% do PIB mundial.

A organização alerta ainda para adversidades colaterais, como a fome, guerras e migrações, sublinhando a "absoluta necessidade" de aumentar a segurança da água para ultrapassar os desafios colocados pelas alterações climáticas e actividade humana.

Além de encorajar "os governos e os cidadãos a aumentar a segurança hídrica nos seus países" e a apoiar as nações com maiores dificuldades, "nomeadamente na África subsaariana e Ásia", o Conselho recorda que o acesso das pessoas ao saneamento e à água potável consta dos objectivos do Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas para 2030.

Para o WWC esta é uma meta que só poderá ser alcançada "com um bom governo local, gestão sustentável dos recursos naturais e urbanização eficaz", e um investimento anual de cerca de 650 mil milhões de dólares, para garantir a concretização das infra-estruturas necessárias.

Os cálculos do Conselho indicam ainda que "cerca de 90% das águas residuais do mundo são despejadas no ambiente sem tratamento", enquanto quase 700 milhões de pessoas vivem em áreas urbanas sem instalações sanitárias seguras.

Ao mesmo tempo, "todos os anos uma em cada cinco crianças com idade inferior a cinco anos morre prematuramente devido a doenças relacionadas com a água e quase 40% da população mundial já enfrenta problemas de escassez de água", franja que "pode aumentar para 66% em 2025".

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