Sindika Dokolo acusa França de roubar arte do Benim, e Isabel dos Santos junta-se ao protesto: "É inadmissível que se recuse devolver a África o que é nosso"

Novo JornalPublicado 31/03/2017 13:37:00

O coleccionador Sindika Dokolo, detentor de um dos maiores espólios de arte africana do mundo, anulou o empréstimo de cinco obras ao museu francês Quai Branly, em protesto contra a recusa da França em devolver objectos que diz terem sido pilhados ao povo do Benim. A posição do empresário, expressa através de um vídeo publicado nas redes sociais obteve o apoio imediato da mulher, Isabel dos Santos.

Foto: Adjali Paulo

Depois de se apresentar como proprietário de uma colecção de arte africana clássica e contemporânea, e de uma fundação de arte situada em África, Sindika Dokolo avança para o motivo que o fez gravar o vídeo, partilhado no Twitter e Instagram.

"Tomei conhecimento que o Governo da França se recusou a devolver objectos de arte que foram pilhados ao povo do Benim", introduz o coleccionador, que, nos últimos anos, assumiu o compromisso de resgatar peças roubadas a África durante as guerras e dominação colonial.

Face à posição do Executivo gaulês, que qualifica como "um insulto a todos os africanos", o mentor da Fundação Sindika Dokolo revela que já não vai colaborar com o museu francês Quai Branly, a quem tinha cedido cinco obras clássicas para uma grande exposição sobre arte do Gabão.

A decisão do coleccionador foi prontamente encorajada pela mulher, Isabel dos Santos, que deixou um comentário de apoio à iniciativa do marido na sua conta do Instagram. "É inadmissível que, nos dias de hoje, se recuse a devolver ao nosso continente, África, o que é nosso: obras dos nossos antepassados, a nossa cultura e a nossa história, arte roubada e hoje presa em museus na Europa que, para os nossos filhos verem, precisam de vistos Schengen e de passagens de avião...", escreveu a empresária.

Já Sindika Dokolo, aproveitou o momento para recomendar coerência aos governantes franceses, salientando que a narrativa africana não se esgota na pobreza, no terror do Boko Haram, na corrupção das elites, nem nas avalanchas de emigrantes que arriscam a vida no mar para alcançar a Europa.

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