Venezuela a ferro e fogo já vai na terceira semana de protestos violentos e soma nove mortos

Novo JornalPublicado 20/04/2017 14:32:00

Em menos de três semanas morreram nove pessoas e dezenas ficaram feridas, algumas com gravidade, por causa dos violentos protestos na Venezuela contra o Governo do Presidente Nicolas Maduro, que não está a conseguir estancar uma grave crise económica provocada pela queda do preço do petróleo e, acusa a oposição, pela "gestão danosa" dos recursos do Estado.

Perante este cenário de violência crescente nas ruas de Caracas e de outras cidades venezuelanas, e das medidas recentes de Maduro para punir o "inimigo" americano, nomeadamente com o confisco de uma fábrica da General Motors (GM), a União Europeia lançou um veemente apelo ao fim das hostilidades e ao início do diálogo entre o regime e a oposição.

Manifestando-se "muito preocupada" com a situação actual na Venezuela, a União Europeia, através de um porta-voz citado pelas agências internacionais, pediu contenção às forças de segurança e que respeitem as regras de um Estado de Direito, e à oposição que ajude a travar esta escalada de violência dialogando com o Governo.

Recusando-se a aceitar a evolução do cenário para um golpe inconstitucional, a União Europeia só admite uma solução dentro do quadro constitucional democrático, manifestando receio por uma deterioração irreversível de confrontação devastadora no país.

Mas Bruxelas pede também "um inquérito sobre as mortes durante as manifestações" para garantir que os responsáveis por elas são levados à justiça.

As últimas vítimas mortais ocorridas em confrontos entre manifestantes apoiantes do Governo ou da oposição, ou com as forças de segurança pelo meio, em resultado da "mãe de todas as marchas" convocada oposição da Mesa para a União Democrática (MUD,

Dezenas de milhares de venezuelanos saíram na quarta-feira para as ruas de algumas das principais cidades do país para protestar contra o que dizem ser uma ruptura constitucional, e para pedirem o fim da "ditadura" e a realização de eleições livres.

Os manifestantes protestaram ainda por duas recentes sentenças em que o Supremo Tribunal de Justiça concedeu poderes especiais ao chefe de Estado, limitou a imunidade parlamentar e assumiu as funções do parlamento.

GM abandona Venezuela

Por entre este vendaval que varre a Venezuela surgem os primeiros sinais de que pode ocorrer um cerco internacional ao país de Hugo Chávez.

Para já, a norte-americana General Motors acaba de anunciar que abandonou o país depois do Governo ter confiscado uma das suas fábricas na quarta-feira, o que vai resultar no despedimento de mais de 2700 trabalhadores, engrossando potencialmente as fileiras dos protestos.

Os EUA e uma dezena de países latino-americanos já admitiram avançar para sanções ao país, nomeadamente através da sua suspensão nas organizações regionais e sub-regionais que integra.

Também por causa da crise económica e política, países como o Brasil já tomaram medidas para estancar o fluxo de venezuelanos que procuram atravessar a fronteira em busca de refúgio mas também de oportunidades de trabalho, bem cada vez mais escasso no país da revolução bolivariana de Chávez.

Como pano de fundo para esta tempestade política em Caracas está o facto de a Venezuela ter como principal produto de exportação o petróleo, sendo quase totalmente dpeendente deste para o equilíbrio da sua balança de pagamentos, levando a que as quedas recentes no preço do barril tenham dificultado a importação de bens, alguns de primeira necessidade, e a inflacção tenha disparado para valores insustentáveis.

Primeira Página