UNITA admite que militante fez duplo registo eleitoral mas sublinha que caso mostra fragilidade do sistema face a eventuais fraudes

Novo JornalPublicado 20/04/2017 17:52:00

O secretário de Estado para os Assuntos Eleitorais, Adão de Almeida, esclareceu na quarta-feira que um militante da UNITA incorreu na ilegalidade do duplo registo eleitoral com o objectivo de desacreditar as denúncias de permissividade à fraude do processo eleitoral que o maior partido da oposição tem feito. Na resposta dada hoje, esta força partidária afirma que a situação mostra a fragilidade do sistema face a eventuais fraudes.

A denúncia foi feita por Adão de Almeida na quarta-feira, durante um encontro com os representantes dos partidos políticos e o Ministério da Administração do Território, para apresentação do relatório provisório sobre os dados do registo eleitoral que terminou em Março, com mais de nove milhões de eleitores inscritos.

O secretário de Estado explicou na ocasião, rebatendo a informação que tinha sido anteriormente divulgada pela UNITA como forma de fundamentar as suas suspeitas, que o militante da UNITA procedeu ao duplo registo fazendo-o primeiro no Icolo e Bengo e depois no município de Belas, sublinhando que se trata de um crime previsto na Lei Eleitoral.

Entretanto, em conferência de imprensa realizada hoje, a UNITA, através do seu secretário para os Assuntos Eleitorais, Vitorino Nhany, lamentando primeiro o que ocorreu com o militante do seu partido, reafirmou que o sistema demonstrou ser frágil face à fraude e disse que o próprio secretário de Estado admitiu que foram encontrados pelo menos 300 casos de duplo registo, um dos quais o do militante do partido do "Galo Negro".

Vitorino Nhany preferiu enfatizar a exigência que a UNITA vem fazendo de transparência para todo o processo eleitoral.

Para isso, entregando cópias aos jornalistas, divulgou documentos enviados por si ao ministro da Administração do Território, Bornito de Sousa, onde, entre outras exigências, e depois de terminada a fase do registo eleitoral, afirma de se deve proceder à "exposição e publicação, pelos mais diversos meios, da identificação dos eleitores registados e constantes do Ficheiro Informático Central do Registo Eleitoral (FICRE) em 2012 que não tenham feito prova de vida em 2016 ou 2017.

O documento emitido ao MAT contempla ainda, entre outros pontos, a exigência de "exposição e publicação por distritos e comunas" do número de cidadãos que foram inscritos oficiosamente na Base de dados de Identificação Civil, sendo que, acusa a UNITA, "sem resposta até ao momento".

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