Oscilações nos preços de gás butano geram corrida aos postos mais baratos: Botijas chegam a custar 2.300 Kz, quase o dobro do preço tabelado

Alexandre LourençoPublicado 21/04/2017 16:45:00

Apesar de estar incluído na lista de produtos com preços vigiados pelo Governo, o gás butano continua a ser um dos bens que mais dores de cabeça dá aos consumidores, por causa das sucessivas oscilações de preços. Só no município do Cazenga e no distrito do Rangel, uma botija pode custar 2.300 kwanzas, causando enchentes nos postos de venda onde o preço ainda se mantém no valor tabelado: 1.200 Kz.

Foto: Alexandre Lourenço

A corrida para conseguir uma botija de gás butano ao valor da tabela, ou seja 1.200 kwanzas, está a obrigar várias famílias a madrugarem nos locais de venda, fenómeno que salta à vista pelas longas filas que se criam à porta das lojas.

"Estou desde ontem à procura de gás, mas nos pontos onde passei só comercializam no valor acima dos 1.500 kwanzas. Então tive de madrugar para conseguir encontrar a 1.200 Kz num outro lugar", conta Mária Pedro, de 29 anos, moradora no distrito do Rangel.

A estratégia também é utilizada por João Nvula, morador no Cazenga que teve de madrugar e correr até ao município do Rangel para comprar duas botijas de gás.

"Sinceramente, ainda não entendi a razão que está a causar tanta oscilação no preço do gás, porque já estamos nesta corrida desde a semana passada, e são poucos os lugares onde o preço se mantém nos 1.200 kwanzas", protesta.

Já Rosalina Maurício, de 42 anos, considera que o desaparecimento dos camiões que comercializam as botijas porta-a-porta ajuda a perceber as variações na factura.

"Quando os camiões circulavam no interior dos bairros era difícil depararmo-nos com a situação que estamos a vivenciar agora, porque os preços estavam conforme. Agora como eles deixaram de circular, e alguns postos não vendem mais, os que ficaram vendem consoante a procura", lamenta a moradora do município do Cazenga.

Do outro lado do problema encontra-se o comerciante de botijas de gás butano, Pedro Tondela, que explicou ao Novo Jornal que está a vender cada garrafa de gás a 1.500 kwanzas, porque o preço de custo tem oscilado entre os 1.000 e os 1.200 kwanzas.

"Os clientes estão a pensar que a estipulação do preço depende de mim, mas não. São vários factores que fazem com que o preço altere. No meu caso, por exemplo, não compro directamente à Sonagás, por isso obviamente que o preço é outro. Além disso, desde que começou a chover, o camião [que faz a distribuição] está a ter diversas avarias, devido aos buracos e às águas paradas nos bairros. Então, tem de haver rentabilidade", justifica o comerciante de 57 anos.

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