Uma CASA imprescindível

Reginaldo SilvaPublicado 01/05/2017 12:10:00

Por razões que se prendem com a sua crescente importância como sendo, provavelmente, uma das duas únicas alternativas em perspectiva para a maior parte de todos quantos procuram nas próximas eleições manifestar a sua insatisfação pelo actual rumo que o país está a seguir, a CASA-Coligação Eleitoral (CE) está nesta altura a viver um momento particularmente crítico da sua existência, depois de ter falhado o seu primeiro grande objectivo que era entrar na corrida, que já tem data marcada, convertida em partido político.

Foto: Quintiliano dos Santos

É bom aqui referir que esta impossibilidade sempre esteve nas contas e na estratégia da nova agremiação política criada em 2012 por Abel Chivukuvuku, após ter protagonizado uma das maiores dissidências que a UNITA já conheceu ao longo da sua trajectória pelo expressivo número de militantes e simpatizantes do Galo Negro que ele conseguiu arrastar para o novo projecto, o que explica em grande medida o sucesso alcançado nas urnas com a conquista de 8 lugares na Assembleia Nacional e com a sua transformação em terceira força política do país.

Assim sendo, também sempre esteve em cima da mesa o chamado plano B que era a manutenção da CASA como plataforma eleitoral, de modos a não se deitar por terra todo o extraordinário capital político que foi conseguido e consolidado ao longo dos últimos 5 anos.

Formalmente a CASA já renovou, entretanto, junto do Tribunal Constitucional (TC), em carta dirigida ao seu Presidente, a intenção de voltar a concorrer ao próximo pleito como Coligação Eleitoral juntando para o efeito as correspondentes deliberações dos partidos constituintes que são o PALMA, PADDA-AP, PNSA e PPA.

Curiosamente esta correspondência deu entrada na secretaria daquela instância, um dia depois do Chefe do Gabinete dos Partidos Políticos do TC em entrevista concedida à RNA e à TPA, ter falado com algum detalhe da possibilidade da CASA-CE não conseguir concorrer às próximas eleições, caso algum dos seus partidos constituintes tomasse a decisão de desistir da associação.

Esta abordagem de Marcy Lopes, apesar de ter sido feita com base no que a lei dispõe a respeito do funcionamento das coligações, teve várias interpretações muito pouco pacíficas para a imagem quer do funcionário quer do próprio TC, ao ponto do mesmo ter voltado a aparecer na comunicação social para esclarecer o propósito desta sua "aula" sobre como uma coligação eleitoral pode desaparecer da circulação, chamando-se a mesma CASA-CE.

Não sabemos se a emenda foi pior que o soneto. A possibilidade de a CASA não ser admitida pelo TC continua a estar na mesa das hipóteses, enquanto o Tribunal presidido por Rui Ferreira não aprovar a lista definitiva dos concorrentes, o que só será possível saber na primeira semana do mês de Junho, mais dia, menos dia.

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