França vota contra a extrema-direita. Emmanuel Macron é o novo Presidente

Novo JornalPublicado 08/05/2017 10:37:00

A vitória de Emmanuel Macron, eleito Presidente de França na segunda volta das eleições, derrotando Marine Le Pen (extrema-direita), é destaque na imprensa internacional. O centrista Emmanuel Macron obteve 66,06% dos votos na segunda volta das presidenciais francesas, contra 33,94% da candidata da extrema-direita, Marine Le Pen, indicam hoje dados oficiais. A abstenção foi de 25,38%, a mais alta numa segunda volta das presidenciais francesas desde 1969, como apontavam as projecções.

Macron, de 39 anos, conquistou os melhores resultados em Paris, com uma percentagem próxima dos 90%. Marine Le Pen obteve melhores resultados em Aisne e Pas-de-Calais, ambos no norte de França, onde obteve percentagens superiores a 52%.

O jornal Le Monde escreve que Macron vai ser "o Presidente cuja legitimidade saída das urnas será, provavelmente, mais rapidamente colocada em causa", enumerando várias "razões para relativizar esse sucesso", dado que "uma grande parte dos franceses não votou por um candidato, mas contra a extrema-direita". O diário destaca o nível recorde de abstenção e de votos brancos e nulos.

No jornal de esquerda Libération uma fotografia de Macron ocupa toda a primeira página, com o título "bem jogado" a acompanhá-la.

O diário diz, ainda assim, tratar-se de uma "vitória sob pressão", porque "a forte abstenção, apesar da ameaça da Frente Nacional, é por si só um sinal de uma insatisfação em relação ao novo Presidente".

Já o diário Le Figaro, de direita, antecipou legislativas difíceis para o novo Presidente "já privado de estado de graça", perante uma eleição marcada pela maior taxa de abstenção desde 1969 (25,38%) e uma dispersão do eleitorado.

O económico liberal Les Echos saudou Macron como "a escolha da esperança", e fala de um "novo rosto da França, jovem, audaz, triunfante".

"Um novo combate começa" para "contestar as políticas liberais anunciadas pelo novo chefe de Estado" eleito, escreve o jornal comunista L"Humanité,.

Em Espanha, o El País escreve em manchete "França derrota o radicalismo", "disse não ao populismo e a Europa respirou de alívio". Destaca ainda que "depois do Brexit [saída do Reino Unido da UE] e de [Donald] Trump não haverá [Marine] Le Pen".

O La Vanguardia afirma "França vota sim à Europa".

Na Alemanha, na primeira página do diário conservador Frankfurter Allgemeine, pode ler-se que "a Europa evitou o pesadelo".

O jornal de esquerda Tageszeitung também assinala que "a vitória líquida de Emmanuel Macron é um enorme alívio para a França".

Já no Reino Unido, o The Guardian publica um editorial com o título "Boa sorte, senhor Macron. Vai precisar dela", destacando ainda o nível recorde de votos obtidos pela extrema-direita.

"Qualquer outro resultado teria sido uma catástrofe europeia e por uma vez, felizmente, as sondagens tinham razão", acrescenta.

Na Rússia, o jornal Vedomosti escreve que os franceses optaram pelo "candidato que representa os princípios essenciais da V República: o governo por uma elite qualificada e o compromisso com a integração europeia".

Nos Estados Unidos, o New York Times vê a vitória de Macron como um "grande alívio para a Europa", mas adverte que o Presidente eleito enfrenta "consideráveis desafios". Macron vai liderar "uma nação profundamente dividida, como os Estados Unidos, Reino Unido e outras grandes democracias", pode ler-se.

Em Portugal, O Público escreve em manchete "França marcha com Macron e dá esperança à Europa", e o DN fala em "alívio" para destacar a vitória do candidato centrista.

O jornal sul-africano Pretoria News destaca o alívio da Europa, escrevendo "Macron ganha presidência francesa, Europa suspira de alívio".

O Jornal de Angola refere "Extrema-direita esmagada", e puxa para título "Macron é o novo Presidente de França".

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