Chineses em Angola "chateados porque estão há muitos meses sem receber e enviar dinheiro para as famílias"

Novo JornalPublicado 12/05/2017 10:35:00

O presidente da Câmara de Comércio Angola/China, Arnaldo Calado, alerta para as dificuldades que os empresários e trabalhadores chineses estão a viver em Angola, com a dificuldade no envio de lucros e remessas para a China a atingir "níveis de preocupação". O dirigente chama ainda a atenção para a importância do investimento chinês no país, apelando à facilitação da política de vistos.

Foto: Quintiliano dos Santos

Com uma comunidade estimada em cerca de 200 mil pessoas, e um parque empresarial acima das 1.000 empresas, a presença chinesa em Angola é apontada pelo presidente da Câmara de Comércio Angola/China, Arnaldo Calado, como um dos motores da economia nacional.

"Não consigo vislumbrar nos últimos meses nenhuma obra a funcionar sem a presença chinesa, as acções são visíveis em todo território nacional", sublinha o responsável, em declarações à agência Lusa.

Arnaldo Calado defende mesmo que é a linha de crédito de cinco mil milhões de dólares que a China atribuiu a Angola em 2015 que, em altura de crise, "está a fazer funcionar" o país.

Face ao papel que a comunidade chinesa assume no desenvolvimento nacional, Arnaldo Calado alerta para a necessidade de eliminar as dificuldades migratórias, bem como os problemas no envio de dinheiro para a China.

"Estes chineses que vocês estão a ver aí estão todos chateados porque estão há muitos meses sem receber e sem enviar dinheiro para as suas famílias na China, e a níveis que preocupam já, porque eram só os trabalhadores de base. Agora já atingiu outros níveis", sublinha o presidente da Câmara de Comércio Angola/China.

Para além dos acentuados constrangimentos nas transferências, o responsável lamenta que os investidores chineses de grande dimensão permaneçam em Angola apenas com vistos temporários, que "de mês em mês têm de ir renovar".

"E nem sequer têm o tratamento que deveriam ter, para um indivíduo que fez investimentos altos", aponta o economista, em declarações à Lusa.

O presidente da Câmara de Comércio Angola/China reconhece contudo que as autoridades e instituições financeiras angolanas, tendo em conta a relevância da comunidade chinesa em Angola, têm dedicado especial atenção aos seus problemas.

"Estamos a trabalhar com as autoridades, com o Ministério das Finanças, o Banco Nacional de Angola e mesmo com os bancos comerciais, no sentido de minimizar o impacto que esta medida [limitações no acesso a divisas] tem causado aos empresários chineses, sobretudo na aquisição dos meios de reposição, meios de construção e meios de comercialização".

Com uma direção constituída por 27 empresários angolanos e chineses, a Câmara de Comércio Angola/China dá continuidade à antiga Associação de Amizade Angola-China, criada em 1995, e passou a agrupar diversas associações de chineses em Angola para estimular parcerias empresariais entre ambos os países.

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