Operadores turísticos queixam-se de "excesso de zelo das autoridades" para com aqueles que visitam Angola

Novo JornalPublicado 19/05/2017 14:34:00

Os operadores turísticos queixaram-se hoje do "excesso de zelo das autoridades policiais", apontando-o como "factor impeditivo" da entrada e circulação de turistas estrangeiros no País. Mostraram-se ainda preocupados com casos de "limitações de mobilidade" ou "extorsões".

A posição foi assumida hoje pelo presidente da Associação dos Hotéis e Resorts de Angola (AHRA), Armindo César, durante a cerimónia de abertura do encontro sobre as melhores práticas do turismo com segurança em Angola, promovido pela Polícia Nacional, em Luanda

"Os turistas, regra geral, quando se deslocam a um país, nas suas bagagens também trazem câmara fotográficas, máquinas de filmagem, pois querem levar recordações, para mostrar às suas famílias e amigos, mas postos cá enfrentam várias limitações", referiu.

"Como é que as nossas autoridades reagem quando encontram esses turistas por exemplo no Cazenga ou Zango a filmar ou fotografar. Imaginemos que estes turistas sejam detidos ou lhes sejam confiscados os seus meios, com que imagem é que ficam de Angola", questionou.

Para o representante da classe empresarial do sector, os turistas estrangeiros têm sido os "alvos preferenciais para a extorsão de dinheiro" nos postos de controlo que ligam as províncias de Angola.

"Como é que o turista reage quando de Luanda para Benguela se lhe manda parar por sete ou dez vezes nos controlos montados? E o mais grave ainda é quando por qualquer falha na documentação da viatura, alguns agentes desonestos o retém por longas horas restando a única alternativa a de, para continuar a viagem, pagar a famosa gasosa", lamentou.

O presidente da AHRA louvou a iniciativa da Polícia Nacional, em congregar os agentes públicos e privados da indústria turística nacional para a garantia da segurança dos turistas, mas defendeu a criação de condições para atrair turistas.

"Se o problema é o medo que temos de não conciliarmos as condições suficientes para controlar estes estrangeiros que entram, e garantir a sua segurança, devemos criá-las porque o País precisa de olhar para o turismo como factor de desenvolvimento", mencionou.

A conjuntura económica actual do nosso País, referiu, "obriga-nos, a nós, sector privado, e ao poder público, à conjugação de esforços", disse. "Para, unidos, eliminarmos os obstáculos e constrangimentos que vêm afetando o bom desempenho deste importante ramo da nossa economia", reforçou.

O excesso de zelo das autoridades policiais para com os turistas foi criticado igualmente na reunião de hoje pela presidente da Associação das Agências de Viagens e Operadores Turísticos de Angola, Catarina Oliveira.

"Porque muitas vezes não se consegue aceder a determinadas regiões e localidades, por um lado por falta de segurança e por outro por excesso de zelo. E depois, quando também os turistas fazem algumas filmagens, são abordados e até lhes retiram os meios", afiançou.

Numa estratégia de diversificação da economia, que continua dependente das exportações de petróleo, e das suas receitas, a meta do executivo passa por atingir um milhão de trabalhadores e 4,7 milhões de turistas até 2020.

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