Venda ilegal de medicamentos - Um crime «permitido» pelas autoridades

Isabel JoãoPublicado 27/05/2017 10:46:00

Congoleses e chineses estão entre os maiores fornecedores de medicamentos vendidos no mercado informal. Dezenas de pessoas ganham a vida vendendo medicamentos em locais impróprios, num claro atentado à saúde pública. Esta actividade, que tem vindo a ganhar o rosto da normalidade nos principais mercados informais da cidade de Luanda, é justificada com a falta de emprego e condições financeiras para se obter fármacos em locais apropriados.

A venda ilegal e avulsa de medicamentos nos mercados informais da cidade de Luanda ainda persiste, como constatou a equipa de reportagem do Novo Jornal, em dois mercados, nomeadamente dos Kwanzas e do Kikolo. Foi possível verificar o mau estado de conservação dos medicamentos e alguns, inclusive, com o prazo de validade já expirado.

No mercado dos Kwanzas, por exemplo, a venda ilegal de medicamentos, em quantidades consideráveis, acontece todos os dias sob o olhar das autoridades sanitárias e policiais que "nada fazem para por fim a esta prática".

Neste mercado, o que mais chamou a atenção foi o número de jovens que, logo à entrada, se perfilavam para chamar os clientes. Uns tentavam disfarçar porque pensaram que um dos integrantes da equipa de reportagem fosse agente da investigação criminal.

Sentado num caixote de madeira, um homem de camisa, calções e chinelas, que aparentava estar na casa dos 45 anos, distribuía comprimidos a um cliente, enquanto o seu companheiro contava notas de mil kwanzas com toda a tranquilidade. "Esse azulinho é muito bom, é bem melhor que o Viagra. Pode até tomar dois, vai ter muita força para se vir três ou quatro vezes", empolga-se. É em tom de brincadeira que o homem, conhecido como Papa Tontou, lidera o comércio de estimulantes sexuais naquele mercado.

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