O neocolonialismo judiciário-mediático

João MeloPublicado 17/06/2017 11:46:00

A campanha desencadeada nos últimos tempos em Portugal contra dirigentes e outras figuras políticas angolanas ligadas ao partido no poder é injustificada, execrável abjecta e inaceitável. Além do vazamento criminoso do processo que corre na justiça portuguesa contra o vice-presidente da República, Manuel Vicente, a iniciativa mais recente é a notícia de que a deputada Welwitschea dos Santos, mais conhecida como Tchizé dos Santos, filha do Presidente da República, será investigada pela Procuradoria Geral portuguesa por alegado crime de branqueamento de capitais.

Lê-se, por exemplo, no Diário de Notícias do dia 12 de Junho: "Segundo o recurso do MP dirigido ao TRL, os factos em investigação prendem-se com relatos que sustentam a suspeita de que Welwitschea José dos Santos se encontraria a utilizar o sistema financeiro português para proceder à introdução camuflada na economia legítima de quantias por si obtidas através do desenvolvimento de actividade económica e negocial, em Angola, por via do exercício de influência indevida junto dos órgãos decisores do governo angolano. Tal factualidade é passível, em abstracto, de consubstanciar a comissão, em Portugal, do crime de branqueamento".

A leitura minimamente atenta desse resumo da argumentação do Tribunal da Relação de Lisboa revela, desde logo, a sua fragilidade e permite prever que este processo não tem grandes pernas para andar, a não ser, claro, que se transforme numa farsa.

A questão, na verdade, é política. O acórdão do Tribunal da Relação lusitano introduz uma "novidade" que deve merecer, da parte do Estado angolano, a devida reacção.

(A opinião de João Melo pode ser lida na íntegra na edição semanal do Novo Jornal, nas bancas, ou em formato digital, cuja assinatura pode pagar no Multicaixa)

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