Analista da Standard & Poor"s afirma que eleições em Angola não vão trazer grandes mudanças na política e economia

LusaPublicado 18/06/2017 11:12:00

O analista da Standard & Poor"s (S&P) que segue a economia de Angola disse não esperar grandes mudanças em termos de política ou direcção económica no seguimento das eleições presidenciais de Agosto.

"A provável eleição de João Lourenço como novo Presidente da República é neutra do ponto de vista do crédito e não deverá trazer grandes mudanças na política económica do país, por isso esperamos uma transição suave", considerou Ravi Bhathia.

Em entrevista à Lusa em Londres, o analista vincou que apesar de antecipar tranquilidade nas eleições presidenciais de 23 de Agosto, "com o passar do tempo o novo Presidente vai consolidar o poder e as mudanças serão visíveis, e é daqui a um ano ou dois que a sociedade vai avaliar se houve ou não mudanças que respondam aos anseios da população, nomeadamente os jovens".

Para a S&P, que mantém Angola em territórios de recomendação de não investimento, com uma Perspetiva de Evolução Negativa, o País é um caso típico de uma economia demasiado dependente de uma só matéria-prima, e que não conseguiu diversificar nem poupar o suficiente quando o petróleo estava a mais do dobro do preço actual, à semelhança do que fez o Kuwait, exemplificou o analista.

"A queda dos preços para metade teve um impacto enorme nos produtores de todo o mundo, não apenas em Angola", salientou Ravi Bhathia, apontando que a diversificação em que Angola devia ter apostado há anos é agora mais difícil de fazer, com o orçamento pressionado e com a dívida pública quase nos 60% da riqueza do país".

Para uma economia "de mais ou menos 100 mil milhões de dólares, é bastante elevado, não em termos de percentagem do PIB, mas em termos absolutos, já que uma grande parte são empréstimos chineses, sobre os quais há pouca informação", concluiu.

Apesar das dificuldades, a S&P elogia o esforço angolano em ter feito uma "redução muito grande" das despesas e no ajustamento orçamental, que consideram ser "muito significativo".

A taxa de câmbio, por outro lado, "era muito forte e importar produtos agrícolas da África do Sul ou do Brasil era mais barato que produzir e transportar desde o interior do país, embora isto, muito lentamente, esteja a mudar", disse o analista.

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