O verdadeiro Mercado Livre

Sousa JambaPublicado 09/07/2017 12:22:00

Estou a escrever isto em Thornpark, um bairro perto do centro da capital zambiana, Lusaka, que no tempo colonial era conhecido como "coloured quarters", ou o "bairro dos mulatos". No outro lado da cidade há o bairro dos indianos. Os mulatos, no tempo colonial, eram os mecânicos, motoristas, operadores no caminho-de-ferro que ia até à África do Sul. Os indianos eram os empresários.

Durante o tempo em que aqui vivi, entre 1976 e 1983, praticamente todas as lojas no centro da cidade eram de indianos. O argumento era o de que os indianos eram bons empresários por natureza. Este argumento era sempre seguido por uma litania de supostas falhas dos negros zambianos: preguiçosos, desorganizados, intelectualmente limitados, etc., etc.

Na Zâmbia, depois da independência, houve um processo de nacionalização das várias grandes empresas que produziam cerveja, farinha, petróleo, etc. Fala-se do falhanço das linhas aéreas nacionais; a Zambia Airways custou milhões à nação zambiana. Na história recente da Zâmbia, houve várias instituições apoiadas pelo Estado que foram à falência: os seus gerentes davam vastíssimos empréstimos a figuras com boas conexões que os nunca restituíam. Tínhamos, aqui, um mercado livre altamente deturpado. E nos inúmeros escândalos comerciais apareciam sempre os indianos. Havia até vezes em que parecia que a nação zambiana produzia o dinheiro que servia para sustentar o génio empresarial asiático. Os indígenas abriram os olhos, andaram a insistir em mais transparência, e de repente está-se a ver que havia, sim, grupos "mimados" - que tinham os políticos nas suas mãos.

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