Os jogadores, equipa técnica e directores da selecção do Uzbequistão, país da Ásia Central e antiga República Soviética, foram surpreendidos pela polícia migratória em Nova Iorque, com um aparato normalmente "dedicado" às grandes operações de combate ao crime.
Todos os elementos da equipa uzbeque, horas antes do jogo de preparação para a competição que este ano decorre nos EUA, México e Canadá, com os Países Baixos, a quem tal tratamento não foi aplicado, foram sujeitos à revista exaustiva, incluindo cães farejadores e detectores de metais.
Mas este não foi o único episódio do género, porque em San Antonio, Texas, a equipa senegalesa viu ser-lhe aplicado tratamento semelhante, com todos os seus elementos sujeitos a vistoria apertada no aeroporto e as suas bagagens revistadas ao pormenor, sendo evidente o enxovalho.
Tanto os EUA como a FIFA, os organizadores, foram fortemente criticados pelas diplomacias uzbeque e senegalesa devido ao tratamento discriminatório e humilhante, havendo inúmeras referências a estes episódios nos media internacionais, e nas redes sociais repete-se a mesma pergunta: "Alguma equipa europeia foi sujeita a igual tratamento?!".
Estes não são os únicos casos em que os EUA estão a ser acusados de excesso de zelo, ou mesmo de racismo e xenofobia, porque horas antes, o árbitro internacional da Somália, Omar Artan, viu o seu nome riscado da convocatória da FIFA para o Mundial 2026 porque não obteve autorização de entrada devido às suas restrições migratórias.
A Somália é um das dezenas de países cujos cidadãos estão impedidos de entrar nos Estados Unidos, mas mesmo nesse quadro, e de acordo com informações do próprio Departamento de Estado, a restrições podem ser alteradas se for do interesse nacional dos EUA.
Assim não foi considerado mesmo tratando-se de um árbitro internacional escolhido pela FIFA, a entidade organizadora do maior torneio desportivo do mundo e que há alguns meses, em Dezembro de 2025, atribuiu o Prémio FIFA da Paz ao Presidente dos EUA, Donald Trump.
Este caso ganha ainda contornos de maior estranheza porquanto, como veio dizer o Ministério dos Desportos da Somália, Omar Artan, tinha um visto válido para entrar nos Estados Unidos.
A razão para esta proibição não foi divulgada pelas autoridades norte-americanas.
