Horas depois do golpe - realizado quando o Presidente da República, Ali Bongo se encontra em Marrocos em tratamento médico -, um porta-voz do Governo, Guy-Bertrand Mapangou, vei dizer aos jornalistas que o golpe tinha falhado.

"O Governo está no activo e as instituições do país estão a funcionar normalmente", disse.

O golpe terá falhado, segundo as agências, porque as chefias superiores das Forças Armadas não alinharam no plano dos militares de patentes inferiores, contra aquilo que chamam o "desgoverno" do Presidente Bongo.

O autodenominado Movimento Patriótico das Forças de Defesa e Segurança do Gabão, pelo qual o tenente Kelly Obiang, quando leu o seu manifesto, ladeado por outros dois militares, armados e vestidos com camuflados, deu a cara, alegou, como razão para o "golpe", a falta de condições de Ali Bongo para governar o país, devido ao seu estado de saúde física e mental. O Presidente gabonês foi transferido para o exterior depois de ter sofrido um ataque cardíaco em Outubro.

Pouco antes da leitura do comunicado na emissora estatal, ouviram-se, segundo relatos das agências, tiros nas proximidades da estação.

Entretanto, a meio da manhã, a capital gabonesa estava calma e tudo indicava que a calma tinha regressado a Libreville.

Este golpe falhado ocorreu quando um contingente militar norte-americano foi enviado para este país, alegadamente por causa da sua localização estratégica face aos tenso processo eleitoral na República Democrática do Congo (RDC).

Ali Bongo, de 59 anos, sucedeu ao seu pai, Omar Bongo, que morreu em 2009, sendo que a sua família governa o país, rico em petróleo, há cerca de 50 anos.

As eleições que o reelegeram, em 2016, foram alvo de múltiplas acusações de fraude generalizada pela oposição, tendo degenerado em violentos protestos populares.

A pouca simpatia que Ali Bongo conta entre o povo é uma das razões pelas quais alguns analistas admitem que este caso pode estar, por ora, mitigado, mas dificilmente serão evitadas outras tentativas para depor o Presidente e, com isso, eleger um novo Governo que permita uma melhor distribuição das riquezas oriundas do sector petrolífero.