Wilson Baptista, citado pelo Jornal de Angola disse que o incidente ocorreu por volta das 05:00 na aldeia do Mucunha, a cerca de 20 quilómetros da comuna de Kicabo, tendo sido resgatadas com vida três pessoas, enquanto prosseguem operações de busca para localizar mais desaparecidos.

Segundo a Rádio Nacional de Angola, entre as 28 vítimas mortais confirmadas, 13 pertencem à mesma família.

Wilson Baptista disse que a insuficiência da rede de comunicação na região está a dificultar o trabalho das equipas no terreno, sobretudo no levantamento de informações e na coordenação das acções de resgate.

Um dos sobreviventes, Alfredo Inga "Coragem", relatou à imprensa que chegou ao local por volta das 03:00, quando encontrou dezenas de pessoas no interior de uma estrutura semelhante a um túnel improvisado para extracção de ouro.

"Quando cheguei à mata, a que chamamos Nova Luanda, estavam cerca de 60 ou 70 pessoas. O buraco parecia um túnel. Naquela confusão, o muro desabou", disse ao Jornal de Angola.

A situação está a ser acompanhada pelo delegado provincial do Ministério do Interior no Bengo, Delfim Kalulo, e por autoridades da administração local, que reforçaram o apelo contra a prática de garimpo ilegal e defendem o aumento da fiscalização e de acções de sensibilização.

O garimpo ilegal em várias províncias angolanas tem originado várias tragédias nos últimos anos.

Em Junho de 2025, pelo menos seis pessoas morreram num intervalo de três dias em minas ilegais no Huambo, e 13 garimpeiros morreram soterrados na localidade de Tchikuele, município de Chipindo, na Huíla, numa mina clandestina de extração de ouro e outros minerais.

Registaram-se igualmente desabamentos mortais no Bié e na Lunda-Norte, associados à extração ilegal de diamantes, e em municípios do Huambo como Ukuma e Cuima.