A obrigatoriedade do porte de extintores nas viaturas veio apenas fazer subir o preço dos mesmos, pois a justificativa de esta medida visar conter o aumento de incêndios nas viaturas na via pública precisa de ser suportada por estatísticas e não apenas por meras opiniões. Se forem feitas sondagens, muito provavelmente veremos que há outros assuntos mais importantes, como a iluminação pública, a melhoria das vias e a sinalização, principalmente das passadeiras, que poderão contribuir para a redução da sinistralidade rodoviária.

É só andar dois minutos na rua para ver que a atitude musculada tida no passado para a obrigatoriedade do uso de capacete para quem conduz motociclos, do uso do cinto de segurança e ou da inibição de falar ao telefone enquanto se conduz não surtiu efeito. É mais um motivo de propina de agilização. É preciso educar e dar exemplo. Quando as viaturas que fiscalizam o trânsito não têm sequer um simples triângulo e como recurso são usadas pedras ou galhos de árvores para sinalizar o perigo, fica difícil obrigar o cidadão a desembolsar um terço do salário mínimo nacional para a compra de um extintor que uma larga maioria não sabe usar.

Voltando ao tema das sondagens e inquéritos à boca de urna, não adianta aqui repetir os argumentos esgrimidos pelas várias partes interessadas. Na realidade, as redes sociais vão ser o termómetro democrático que, com as suas habituais fake news, vão servir para confundir os menos atentos. No final do dia, com ou sem sondagens, os resultados irão contar a verdade.

Há 30 anos enquanto conduzia trabalho de sondagem para as eleições de 1992, no bairro Tala Hady, um pacato cidadão, quando questionado sobre os motivos da escolha pelo seu candidato, indicou que "cada um é como cada qual e ninguém é como evidentemente". Que cada um faça a sua interpretação desta expressão que demonstra tanta pertinência como a ponte daqui para ali. No entanto, a mesma esconde o sentimento de muitos eleitores que já estão a festejar.