"Todos juntos contra a malária", é o lema que as autoridades sanitárias escolheram para a conjugação de esforço no combate à doença que só no primeiro trimestre deste ano, já provocou a morte de 400 pessoas, num total de 188 mil casos de malária notificados pelas autoridades sanitárias de Luanda. Os casos mais recentes da doença ocorreram no município de Cacuaco, entre finais de Abril até à semana passada, onde morreram 27 crianças, em poucos dias, vítimas de malária aguda, que afecta o bairro Mulundo, comuna da Funda, município de Cacuaco.

A doença atingiu crianças entre os nove e os 12 anos, com febres altas e dores abdominais, "num quadro clínico que se agrava muito rapidamente" até "à morte", segundo descreveram as populações locais, que caracterizam a doença como sendo "mais grave do que a malária comum". Entretanto, os hospitais e centros de saúde de Luanda também se têm confrontado com o aumento de casos de malária nos serviços de urgência nos últimos dias. Em Viana, zona que também está ser caracterizada pelas autoridades como sendo endémica, o número de casos aumentam dia a dia, de acordo com fontes ligadas ao sector.

No centro materno infantil "Mulenvos de Cima", daquele município, as estatísticas do último final de semana, apontavam para uma subida de casos, de acordo com o chefe do centro Manuel Jamba, que relatou a ocorrência de 49 casos de malária dos 271 casos de doenças registados no banco de urgência do centro. Situação similar observou tambémo hospital do Prenda, no município da Maianga, que registou um total de 90 casos de malária durante o fim-desemana, segundo responsáveis locais, que se mostraram preocupados com o estado debilitado em que os pacientes continuam a chegar ao hospital. "Já não são só doentes com febres ou dores nas articulações. Vêm já com complicações severas resultantes da própria malária", explicou um responsável da unidade, reportando o registo de 350 casos de doenças diversas durante o final de semana.

No Hospital Josina Machel, o banco de urgência daquele hospital registou 79 casos de malária grave em mais de mil e 500 pacientes assistidos, segundo informações recolhidas no local. Em face da situação, a directora do gabinete provincial de saúde de Luanda, Rosa Bessa reconheceu, esta semana que, Luanda tem registado "muitos casos de malária, caracterizando a doença como sendo a primeira causa de morte em Angola". "Temos muitos casos de malária, mas para esta questão, o senhor governador orientou-nos a trabalhar em equipas e estamos a fazer investigações e também a tratar dos casos em toda a província de Luanda", explicou a responsável. Rosa Bessa deu ainda a conhecer que o Ministério da Saúde criou pacotes anti-maláricos que estão a ser distribuídos nos centros e hospitais de Luanda.

"Há também a orientação de fazer os testes rápidos, não só para a malária, como também para a dengue e para a chicungunya. Estamos perante um síndroma febril e, é preciso travar outras patologias", esclareceu. A directora da saúde em Luanda fez saber que no Mulundo, as autoridades diagnosticaram vários casos de malária, a partir dos próprios reservatórios de água das populações. "Foram testado as águas dos reservatórios naturais e este não deram positivos. Mas já nos reservatórios de dentro das casas, os testes foram positivos", disse Rosa Bessa apelando ao envolvimento de todos no combate à doença. "No caso da malária, há vectores que estão dentro de casa que nos podemos efectivamente controlar, como o uso de insecticidas e outras medidas, como o óleo queimado, que pode ser usado nas lagoas. É preciso termos cuidados com as crianças, mas é necessário o envolvimento da própria comunidade. Temos que estar todos juntos contra a malária", apelou a responsável.