A luta pelo aumento do salário mínimo nacional e a revisão da Lei Geral do Trabalho (LGT) são os principais desafios dos concorrentes.

O secretário-geral em fim de mandato, Manuel Viage, que esteve à frente da confederação sindical durante 15 anos, já anunciou que não irá concorrer à sua própria sucessão.

José Laurindo, Maria Francisco e Filomena Soares são os candidatos ao cadeirão máximo da maior central sindical de Angola que articula mais de 140 sindicatos filiados.

Os três concorrentes encontram-se em campanha eleitoral desde o dia 15 de Julho, e o término da campanha acontece a 11 de Agosto próximo, dois dias antes do congresso. Os três candidatos são membros de comissão executiva da UNTA-CS.

José Laurindo, Maria Francisco e Filomena Soares apesar de terem programas diferentes, são unânimes quando ao reajuste do salário mínimo nacional e da revisão da LGT.

José Laurindo, o único homem a concorrer numa lista de candidatos em que mulheres vão pela primeira vez lutar pelo lugar de secretário-geral da UNTA-CS.

Em declarações aos jornalistas, o candidato José Laurindo disse que caso seja eleito pretende resgatar a visibilidade que a UNTA-CS foi perdendo ao longo dos anos.

"Sabemos hoje que os trabalhadores não têm uma classe definida. A classe média dos funcionários desapareceu e os salários são baixos, queremos inverter isso, porque quando se melhora a base, melhora-se também o topo", afirmou.

Conforme o candidato, há intenção, caso seja eleito, de lutar para rever a Lei Geral do Trabalho (LGT), apesar de reconhecer ser já uma batalha antiga da direcção que cessa mandato.

Quanto à fixação do salário mínimo nacional, José Laurindo realçou que vai trabalhar na materialização dos procedimentos e estudar as melhores formas para se chegar a um entendimento que satisfaça os empregadores e empregados.

O candidato assegurou que quer elevar a União Nacional dos Trabalhadores Angolanos-Confederação Sindical à categoria de instituição de utilidade pública e torná-la activa nas acções de filantropias.

Já a candidata Maria Francisco quer ver a Lei Geral do Trabalho revista e lutar para a melhoria do salário mínimo nacional, bem como promover a segurança no trabalho e exigir o respeito dos direitos fundamentais e a liberdade dos sindicatos filiados.

A candidata, caso seja eleita, propõe-se trabalhar na extensão da protecção social dos trabalhadores do sector informal e combater o assédio no trabalho e toda a discriminação.

"Queremos aumentar a participação das mulheres no movimento sindical e combater a discriminação de género. Temos de melhorar a fiscalização, em especial da Inspecção Geral do Trabalho, e propor o agravamento das penas dos crimes económicos para os gestores públicos que violem as regras de contratação pública", assegura a candidata.

Para a candidata Filomena Soares, a outra mulher concorrente ao cargo de secretária-geral da UNTA-CS, as suas linhas de actuação estarão mais centradas nos problemas que afligem os trabalhadores e na exigência de maior respeito por parte dos governantes e dos empregadores para com a classe proletária.

"Vamos denunciar todas as formas de violações dos direitos laborais dos trabalhadores e recorrer à greve como recurso de luta sindical", avançou a candidata.

Filomena Soares defendeu a necessidade de ouvir mais os sindicatos, os trabalhadores para juntos lutarem para a resolução dos problemas que enfermam a classe.

A candidata é de opinião que seja também revista a LGT e que os sindicatos apostem na formação e na capacitação educativa dos trabalhadores.

Caso seja eleita secretária-geral, Filomena Soares pretende estreitar relações com centrais sindicais de outros países.

Os três concorrentes, José Laurindo, Maria Francisco e Filomena Soares, mostram-se preocupados com a alta taxa de desemprego no seio da juventude, numa altura que se assiste a despedimentos por parte de várias empresas.

Os aspirantes ao cadeirão máximo da UNTA-CS lamentam ainda o facto de muitas empresas estarem a encerrar e a dispensar os funcionários devido à situação financeira provocada pela pandemia da covid-19

Em 61 anos de existência, a UNTA-CS já teve cinco secretários-gerais, sendo que o próximo congresso vai eleger o sexto líder da confederação sindical.

A União Nacional dos Trabalhadores Angolanos (UNTA) é uma confederação sindical de âmbito nacional, abreviadamente designada UNTA-CS, constituída pelas associações sindicais nela filiada. A UNTA-CS congrega mais de 400 mil membros e tem a sua sede na Avenida Rainha Ginga, em Luanda.