Justiça de Madrid segue pistas de corrupção entre empresas públicas espanholas e figuras angolanas

Novo JornalPublicado 20/04/2017 9:41:00

A justiça espanhola está a investigar uma operação em Angola da empresa Mercasa, uma empresa pública espanhola de serviços na área da distribuição alimentar, sobre a qual existem suspeitas de corrupção de entidades angolanas num contrato que deveria chegar aos 500 milhões de euros para a construção de um Mercado Abastecedor em Luanda.

De acordo com o El Diario e o El Mundo, a Audiência Nacional, um tribunal com sede na capital espanhola, Madrid, mas com abrangência em todo o território espanhol, segue a pista das eventuais"comissões" pagas pela Mercasa a influentes figuras angolanas e aos facilitadores espanhóis, para conseguir ganhar o referido contrato.

O El Diario sublinhava que esta operação ainda não tinha produzido quaisquer detenções, até à manhã de quarta-feira, quando um director da Mercasa foi detido, embora não esteja claro que esta tenha acontecido por causas directamente relacionadas com a operação angolana.

Há apenas a constatação de que as autoridades espanholas, nomeadamente através da Audiência Nacional e da Guardia Civil, estão a desatar os nós relativos a esta investigação que, para além dos alegados subornos, contém ainda sobrefacturação de serviços, entre outros crimes.

Nesta operação, ainda segunda a imprensa espanhola, estarão envolvidas 10 pessoas, entre espanhóis e angolanos, pelo menos.

A pista que liga a Mercasa a Angola, através do plano para ganhar o contrato de construção do Mercado Abastecedor de Luanda, surgiu, no entanto, intrincada com outro caso que envolve a empresa pública de abastecimento de água de Madrid, "Canal de Isabel II", essa sim dando como resultado a detenção de 12 pessoas, entre estas o ex-presidente da Comunidade Autónoma de Madrid, Ignacio González.

Sublinhado ainda pela imprensa espanhola está o facto de a empresa "Canal de Isabel II" estar também envolvida na construção do Mercado de Luanda, sobre o qual existem suspeitas de terem sido avultadas comissões para garantir esse contrato.

A agência de notícias espanhola, EFE, adianta que estes casos ligados ao caso de corrupção de venda de armas a Angola pela empresa, também pública, Defex, como se pode recordar aqui e aqui.

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