A cidade que "morreu" sufocada pela crise angolana

Novo JornalPublicado 18/08/2016 8:58:00

De uma facturação mensal de 500 milhões de dólares para uma espiral de negócios falidos, a cidade de Oshikango, na fronteira com a Namíbia, tornou-se o novo espelho da crise que Angola atravessa, bem reflectida na própria condição dos comerciantes angolanos. Antes donos de lojas, hoje obrigados a desenrascar sustento na venda de rua.

Foto: The Namibian

Com um câmbio cada vez mais desfavorável - em Dezembro do ano passado 8,7 kwanzas eram suficientes para conseguir um dólar namibiano, agora são necessários 12,29 kwanzas -, fazer compras na cidade de Oshikango, na fronteira com a Namíbia, deixou de ser apetecível para os consumidores angolanos.

O efeito está à vista: O local que há 10 anos facturava 500 milhões de dólares por mês tornou-se uma espécie de território infértil para os negócios, dominado por uma série de lojas fechadas.

"A situação é de tal forma desesperante que cada angolano que se encontra está a vender tomate, cana-de-açúcar, ananás ou qualquer outra fruta, de forma a obter dólares namibianos, que são uma moeda mais forte [do que o kwanza]", reporta o diário The Namibian, lembrando que, até há pouco tempo, os angolanos eram não apenas os principais clientes, mas também, proprietários de lojas.

Agora, angolanos e namibianos, todos tentam sobreviver.

Mas as contas estão cada vez mais difíceis, revela um namibiano que se dedica ao transporte de vegetais, mobílias e outros bens. Hoje com ganhos máximos de cerca de 15 dólares, quando nos tempos áureos facturava cinco vezes mais, Max Jonas não modera o dramatismo: "Oshikango morreu", diz.

A declaração de óbito comprova-se por uma vaga de desemprego, que na semana passada levou a Câmara de Comércio e Indústria local a anunciar o despedimento de 120 funcionários da empresa International Commercial, cenário que se repete um pouco por toda a cidade.

Afinal, conforme explicam os poucos comerciantes da cidade fronteiriça que ainda resistem à derrocada, "os namibianos não são muito gastadores", deixando os negócios quase totalmente dependentes do consumismo angolano.

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