Polícia sem pistas sobre aparatoso assalto numa pastelaria da Vila Alice em Setembro do ano passado

Alexandre LourençoPublicado 20/03/2017 14:27:00

Ao fim de cinco meses de investigações, a Polícia Nacional ainda não tem pistas que permitam identificar os sete autores do aparatoso assalto à mão armada que mobilizou cerca de 100 agentes das várias polícias, incluindo das equipas antiterrorismo, em torno da pastelaria Pérola da Avenida, na Vila Alice, em Luanda.

Após ter sido dado o alarme, às primeiras horas do dia 22 de Setembro do ano passado, as forças polícias fizeram deslocar para a rua Tomás Vieira da Cruz mais de uma centena de elementos, incluindo o Serviço de Investigação Criminal, Unidade Antiterrorismo, da polícia científica, e dezenas de patrulhas que ocorreram à zona de acção oriundos de vários pontos da cidade.

Milhares de populares juntaram-se nas imediações do local onde se julgava estarem clientes e funcionárias da pastelaria reféns dos assaltantes, o que não se veio a verificar, tendo as forças policiais utilizado meios técnicos, provavelmente pela primeira vez em situações análogas, como aparelhos aéreos telecomandados equipados com câmaras de filmar (drones).

Depois de uma situação de quase caos, que se prolongou por várias horas, com perseguições falhadas, os alegados autores do assalto, conseguiram furar a malha policial montada na área, com o fruto do assalto, sendo o conteúdo de uma mala de dinheiro acabado de levantar de um banco por um dos clientes o presumível objectivo do grupo.

Todavia, o valor, ou mesmo a existência de uma mala com dinheiro, nunca chegou a ser confirmada, embora o forte aparato policial tenha sido aquilo que deu a esta ocorrência carácter único no mapa da criminalidade em Luanda.

Perante este inusitado acontecimento, o Novo Jornal online foi procurar, junto da Polícia Nacional, saber em que pé estão as investigações, tendo o seu porta-voz provincial, o Inspector-Chefe, Mateus Rodrigues, adiantado que ainda não existem dados que permitam a identificação dos assaltantes nem do paradeiro do dinheiro alegadamente roubado.

No entanto, Mateus Rodrigues garantiu que as investigações seguem o seu curso normal.

Também uma das funcionárias da pastelaria, Sedalina Pedro, informou que, desde que a polícia abandonou o local, no dia dos acontecimentos, nunca mais se falou do assalto, nem por parte da polícia, nem dos seus superiores.

"Acredito que o caso já foi esquecido porque nunca mais se ouviu nada relacionado àquele incidente, apesar de a polícia ter dito que o caso vai ser investigado", acrescentando que, depois do sucedido, a segurança no local foi redobrada para salvaguardar a vida dos funcionários.

De acordo com o relato da proprietária da pastelaria ao Novo Jornal, feito horas depois do assalto, um dos indivíduos "arrancou a mala da mão do homem que tinha saído do banco e fugiu de mota".

Os restantes seis, ainda dentro da pastelaria, foram surpreendidos pela polícia, que tem uma esquadra móvel muito próximo, no Largo do Amor.

A detenção de uma pessoa, que aconteceu efectivamente, revelou-se um engano, porque a polícia foi induzida em erro pelos populares que apontaram para um pedreiro que estava a trabalhar numa casa ao lado, sendo este detido e levado no carro patrulha, após algumas agressões, como o Novo Jornal Online constatou no local.

Acabou por ser libertado pouco depois, quando foi confirmada a sua inocência.

Primeira Página