Sem vitórias internas, Trump faz ameaças militares directas à Coreia do Norte e à Síria

Novo JornalPublicado 06/04/2017 10:55:00

O Presidente norte-americano lançou nas últimas horas dois "ultimatos", um sobre a Coreia do Norte e outro sobre a Síria, prometendo agir militarmente se a ONU não tomar a iniciativa de castigar o regime norte-coreano pelos sucessivos testes de mísseis e o regime sírio pelo recente alegado ataque com armas químicas que vitimou dezenas de civis.

Donald Trump, que registou uma série de derrotas internas desde que assumiu o poder em Janeiro último, seja nos decretos sobre a imigração, com a Justiça do país a anulá-los com base na Constituição, seja nas sucessivas nomeações falhadas para lugares sensíveis na sua Administração, avança agora em força contra os "inimigos" externos, escolhendo como alvos a Síria de Bassar al-Assad e a Coreia do Norte de Kim Jong-un.

Na Síria, o que está em causa é o mais recente ataque com armas químicas, desta feita, em Idlib, cidade controlada pelos rebeldes, que Damasco nega ter realizado e os EUA e os seus aliados dizem convictos que sim, apesar de ter acontecido quando mais de 70 países discutem em Bruxelas, na Bélgica, a longa guerra que devasta o país há anos a fio.

Rússia, aliada de Damasco, e o Presidente sírio garantem que não se tratou de um ataque da força área estatal, alegando que foi apenas um ataque a um depósito de armas dos rebeldes onde estavam armas químicas ilegais que explodiram.

Mas os EUA não alinham nessa versão e, sustentando o seu discurso em imagens terríveis dos mortos, incluindo dezenas de crianças, passam à ofensiva, prometendo passar por cima do Conselho de Segurança da ONU, atacando unilateralmente o regime de Bashar al-Assad.

A ser concretizado, este ataque abre a possibilidade de uma escalada militar na região impossível de se saber até onde poderá levar o mundo, independentemente de estar a decorrer um inquérito para apurar responsabilidades sobre a utilização de armas químicas.

No caso da Coreia do Norte, Donald Trump deu garantias absolutas ao primeiro-ministro japonês, o Japão é um dos países, a par da Coreia do Sul, mais ameaçado pelo belicismo norte-coreano, de que os EUA vão defender com todo o seu poderio militar, incluindo o arsenal nuclear, os aliados na região.

Considerando uma "grave ameaça" os continuados testes de mísseis, alguns deles com capacidade de transportar ogivas nucleares, pela Coreia do Norte, Donald Trump foi claro ao afirmar que qualquer ataque ou ameaça incontornável ao Japão e a Coreia do Sul terá como resposta a intervenção militar directa dos Estados Unidos da América.

Como pano de fundo a este cenário perigoso, Trump e o Presidente chinês, Xi Jinping, vão encontrar-se entre hoje a amanhã, onde o esforço armamentista e as constantes ameaças de Pyongyang sobre os seus vizinhos estará no centro da conversa.

A China é o grande aliado da Coreia do Norte e não deixa de avisar os EUA sobre as consequências de uma intervenção militar contra Pyongyang, pedindo calma e ponderação a todas as partes.

Alguns analistas, no entanto, defendem que os EUA não têm um verdadeiro interesse em intervir militarmente contra Kim Jong-un, sendo esta ameaça uma forma de diluir a pressão interna que Trump está a sofrer pela falta de resultados na sua estratégia política interna.

No entanto, o mesmo não deve acontecer com a Síria, sendo admitido um avanço bélico sobre Damasco, havendo mesmo quem tenha feito um paralelismo entre a utilização de fotografias, na ONU, de crianças mortas no recente ataque químico em Idlib para justificar a intervenção, e as que foram utilizadas, tendo-se posteriormente revelado falsas, para mostrar a existência de armas químicas no Iraque para justificar a guerra decretada pelo Presidente George W. Bush.

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