Indústria de bebidas da RDC preocupada com importações ilegais de Angola a partir da fronteira do Luvo

Novo JornalPublicado 17/04/2017 16:07:00

A fronteira do Luvo, que liga a província do Zaire à região do Congo Central, na República Democrática do Congo (RDC), está a servir de ponto de passagem ilegal de contentores de bebidas fabricadas em Angola, aproveitando os preços superiores praticados no país vizinho para este tipo de produtos.

Embora não sejam indicados números exactos, estima-se que todas as semanas passem ilegalmente na fronteira do Luvo, ou Lufo, mais de duas dezenas de contentores de 40 pés de bebidas de marcas internacionais, como Coca-Cola ou Fanta, ou outras de origem angolana, incluindo cerveja e energéticas, fabricadas em Angola, com destino aos mercados da província do Congo Central.

Este comércio ilegal, ainda segundo as denúncias dos industriais do sector congolês, tendo em conta que as bebidas, em lata ou em garrafas de plástico, produzidas em Angola são adquiridas a, por vezes, menos de metade do preço praticado na RDC, constituem uma "ameaça à indústria" do país vizinho, onde também são produzidas as mesmas marcas internacionais e bebidas semelhantes às de marcas angolanas.

A razão para este negócio de venda ilegal de bebidas fabricadas em Angola na RDC é que, por exemplo, uma lata de Fanta custa em Angola menos de metade do preço praticado na província congolesa do Congo Central e isso está a enfraquecer a indústria de bebidas local, colocando em risco, sublinham os jornais congoleses, centenas de postos de trabalho.

O negócio parece estar bem oleado, com pontas nos dois lados da fronteira, que garantem a aquisição das bebidas em Angola, a passagem de camiões pela fronteira sem serem controlados e a distribuição em território da RDC.

Ainda a facilitar este negócio está o facto de vastas áreas do país vizinho, junto à fronteira com Angola, terem acessos terrestres mais fáceis a partir da fronteira que a partir dos grandes centros urbanos congoleses, devido à inexistência de estradas ou à sua má condição de conservação.

A questão essencial é, segundo as fontes da indústria de bebidas da RDC citadas pelo site Actualite, a concorrência desleal que constitui a venda de bebidas adquiridas em Angola a preços consideravelmente mais baixos que os praticados no país, fazendo perigar a sua sustentabilidade ou podendo, pelo menos, provocar despedimentos.

O Novo Jornal online não conseguiu contactar as autoridades angolanas responsáveis pelo controlo da fronteira do Luvo.

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