Segundo dados do Ministério da Saúde congolês, o vírus do Ébola continua a conseguir espalhar-se no país, especialmente na região leste, com tentáculos já nos países vizinhos, incluindo Uganda, Nigéria e Quénia, apesar dos esforços para o circunscrever.
O Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP) revelou um relatório em Kinshasa onde fica claro que a epidemia está longe de estar controlada sem que seja anunciada uma vacina ou tratamento eficazes para a estirpe Bundibugyo, que é o vírus activo nesta região actualmente.
Esta estirpe, ao contrário das mais comuns, não tem tratamento conhecido e isso é uma das razões para que esta, que é a 17ª epidemia registada desde 1976, ano da primeira vez em que humanos foram infectados, não tem nem vacina nem medicamentos eficazes no seu tratamento.
Sendo a mais agressiva das febres hemorrágicas conhecidas, e a mais letal, a ONU, através da OMS, e a União Africana, através do seu organismo de combate ás infecções e crises de saúde pública (CDC-África), declararam esta epidemia de Ébola como um problema internacional severo.
A agravar esta situação, a doença tem ainda ganhado tracção num contexto social onde as tradições assentes em feiticismo e outros fenómenos prejudiciais ao seu combate (ver links em baixo) contribuem para o insucesso até agora demonstrado pelas equipas médicas nacionais e internacionais.
De acordo com o relatório do INSP, as províncias orientais de Ituri e Kivu do Norte são as mais afetadas no país, com 32 e 58 novos casos registados nas últimas 24 horas, respetivamente.
No total, a epidemia afeta oito das 26 províncias da RDC: Ituri e Kivu do Norte, em Tshopo (centro-norte), Bas-Uélé (norte), Haut-Uélé (nordeste), Kivu do Sul (leste), Ubangi do Sul (noroeste) e Ubangi do Norte (norte).
Este surto, o segundo mais mortífero e contagioso da história a nível mundial, já ultrapassou o que ocorreu na mesma região congolesa entre 2018 e 2020, embora ainda esteja longe do mais grave até à data, que causou cerca de 11.000 mortes e 28.000 infeções na África Ocidental entre 2014 e 2016.
A estirpe Bundibugyo, que causa a epidemia atual, não tem tratamentos específicos, mas a Organização Mundial de Saúde (OMS) está a trabalhar em duas vacinas que iniciaram os ensaios de fase 1 em humanos e que, até ao momento, se têm mostrado seguras, embora o seu desenvolvimento possa demorar vários meses.
Entretanto, avança a Lusa, a RDC lançou uma campanha de imunização contra o Ébola no final de agosto, utilizando a vacina Ervebo, a única disponível em larga escala. Embora inicialmente desenvolvida para a variante Zaire, mais comum do vírus, a vacina apresentou resultados promissores contra a variante Bundibugyo em animais.
A OMS anunciou também na passada sexta-feira o início de um ensaio clínico na RDC para avaliar várias potenciais vacinas contra esta estirpe.
O vírus ébola transmite-se por contacto direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infetados e provoca febre hemorrágica grave, vómitos, diarreia e hemorragia interna.












