"Vamos exigir responsabilidades àqueles que impuseram a este país uma corrupção sem precedentes", declarou Jeffries, num discurso perante apoiantes, após os democratas terem alcançado a maioria na Câmara de Representantes nas eleições intercalares de terça-feira, 03.

Jeffries, que é descendente de cabo-verdianos, não mencionou o Presidente norte-americano, Donald Trump, de forma direta no discurso, mas no ar mediático norte-americano paira ainda a sua famosa frase onde, pouco depois de ter regressado às Casa Branca, em Janeiro de 2025, disse que agora ir governar para beneficiar a família, os amigos e os seus apoiantes.

Isto, porque, segundo o próprio, no seu primeiro mandato, de 2017 a 2021, trabalhou "para todos os americanos e ninguém lhe agradeceu", ou seja, pior que não agradecerem, derrotaram-no nas eleições de 2020, contra o democrata Joe Biden.

"Se as pessoas que ocupam altos cargos se concentram apenas no seu próprio enriquecimento, ou no das suas famílias, amigos ou doadores, não se estão a dedicar a melhorar as condições de vida do povo norte-americano", avaliou Hakeen, numa alusão explicita a essa frase de Donald Trump.

Desde que regressou à Casa Branca, Donald Trump, que mistura, de forma muito aberta, os assuntos de Estado com os seus interesses privados, tem visto a sua fortuna aumentar, embora rejeite quaisquer acusações de conflito de interesses ou corrupção.

Hakeem Jeffries celebrou a "onda democrata" nas eleições intercalares, contrastando-a com os gastos colossais realizados pelos doadores republicanos.

"Os ricos, os privilegiados e aqueles com boas ligações tentaram comprar esta eleição, mas o povo norte-americano reagiu com força e deixou claro que a América não está à venda", afirmou, satisfeito.

"Querem um Congresso que cumpra as suas promessas, e é isso que nós, democratas da Câmara dos Representantes, faremos assim que tomarmos posse em janeiro", declarou Jeffries, em Washington.

"A América está de volta", assegurou o líder democrata, ao mesmo tempo que afirmou estar consciente de que o partido precisava de "promover uma mudança radical".

Jeffries apontou a economia como um fator-chave nestas eleições e referiu a principal preocupação dos norte-americanos, o custo de vida: "como democratas da Câmara dos Representantes, compreendemos que a vida é demasiado cara neste nosso grande país".

"Há muitas pessoas a lutar para sobreviver e que, certamente, não conseguem prosperar. Acreditamos que, neste grande país, quem trabalha arduamente e respeita as regras deveria poder levar uma vida acessível, confortável e boa", assegurou.

Além da câmara baixa, os democratas alcançaram também a maioria na câmara alta, o Senado, retirando aos republicanos o controlo das duas câmaras do Congresso, segundo projeções de vários media.

O dirigente democrata disse que procurará "um Congresso que dê prioridade aos cidadãos comuns, à classe trabalhadora, à classe média e a todos aqueles que aspiram a integrar a classe média".

Jeffries, bisneto de cabo-verdianos, deverá ser o primeiro presidente afro-americano da Câmara dos Representantes, assim como o primeiro lusófono de origem africana num dos cargos mais importantes da política dos EUA.

O atual líder da câmara baixa do parlamento norte-americano, o republicano Mike Johnson, conseguiu ser reeleito como representante pelo estado de Louisiana (centro-sul).