Três países, três exemplos, a que se juntam Espanha, onde ainda se limpa as ruas dos violentos e prolongados protestos populares contra a perda de qualidade de vida e o problema da falta de habitação, comum a todos os países europeus, a Bélgica, onde o foco é a escassez de soluções para os crescentes problemas sociais, inflação e escassez de combustíveis.

Mas também em Itália, com a cidade de Milão a viver dias de chumbo, Bulgária, Roménia, Sérvia, Alemanha, onde a crise económica gerada pela inflação está a gerar o caos político e a ameaçar o regresso de um partido Nazi ao poder, a Alternativa para a Alemanha (AfD), não parece haver luz ao fundo do imenso túnel de problemas sociais, económicos e ambientais.

Em pano de fundo a esta eclosão de protestos em simultâneo em mais de uma dezena de países está a prolongada guerra na Ucrânia, que levou a União Europeia a castigar a Rússia com dezenas de pacotes de sanções, especialmente sobre o petróleo e o gás, e no Médio Oriente, onde milhões de barris de crude deixaram de fluir para a economia global.

As sanções de Bruxelas a Moscovo, que já vão no 22º pacote, visavam punir a Rússia impedindo o país de exportar a sua energia, mas, ao fim de quase cinco anos, o resultado está à vista de todos e é a Europa Ocidental, especialmente economias como as da Alemanha, França ou Itália, altamente industrializadas, que pagam o maior preço.

Isso, porque ao deixarem de ter acesso à energia barata e fiável da Rússia, como o gás e o petróleo, mas também combustíveis refinados, as suas indústrias começaram a ressentir-se dos preços até quatro vezes mais que começaram a pagar pelo gás e crude importados dos Estados Unidos.

O resultado está à vista. Na Alemanha, a poderosa indústria química começa a debandar para a China ou os EUA, e a indústria automóvel, um dos motores industriais do "motor" da Europa ocidental, "gripou" ou está prestes a desmoronar-se, enquanto em França é a força agro-industrial do maior produtor agrícola da UE que começa a ceder ao elevado custo do gasóleo e em Itália, a 3ª maior economia europeia, regista um problema em tudo semelhante.

Mas é em Tirana, a capital da Albânia, que o cenário parece, por agora, porque em França, a semana vai ser de intensificação dos protestos de rua enquanto o Presidente Emmanuel Macron avança com a declaração de Estado de Emergência e recolher obrigatório, que as ruas mais tremem sob os protestos populares.

Isso mesmo mostra o resultado das últimas 24 horas, com os manifestantes a incendiarem o Tribunal de Recurso em Tirana no sétimo dia de protestos estudantis na Albânia, onde se exige a demissão do Governo do primeiro-ministro Edi Rama, que é apontado como "marioneta" dos EUA e a cara dos interesses económicos da família do Presidente Donald Trump no país.

Isto, porque a origem desta vaga de protestos , que já leva longos meses, embora intermitentemente, é a recusa clara e inequívoca de um projeto turístico numa área ecologicamente sensível e protegida, ligado a Jared Kushner, o genro do presidente norte-americano.

Como apontam as agências, esta segunda-feira,19, foi um dia especialmente violento e simbólico, com os manifestantes a incendiarem o Tribunal de Recurso na capital da Albânia, no sétimo dia consecutivo de protestos estudantis no país, onde os confrontos com a polícia antimotim se intensificaram.

O incidente marca uma escalada nos confrontos entre a polícia e os jovens manifestantes, que já entram na segunda semana de protestos contra o governo do país balcânico, que é candidato à adesão à União Europeia.

Segundo a cadeia local A2 CNN, vários encapuzados partiram os vidros do tribunal, entraram no interior do edifício e atearam fogo ao local antes de fugirem rapidamente.

O dia começou com uma concentração estudantil pacífica em frente ao Ministério da Educação, mas derivou para confrontos violentos após o lançamento de pedras às forças de segurança.

Imagens da emissora News24 mostraram que, já na noite desta segunda-feira, a polícia utilizou gás lacrimogéneo, canhões de água e projéteis de borracha para dispersar a multidão reunida em frente à sede do Governo.

Por outro lado, as autoridades investigam ameaças de bomba enviadas por e-mail a instituições estatais a partir de uma conta hackeada na Arábia Saudita.

Outras cidades do país, como Kurbin, no norte, ou Vlore, no sul, também têm sido esta segunda-feira palco de protestos e episódios violentos.

O Ministério da Saúde confirmou que 303 pessoas ficaram feridas nos primeiros seis dias de distúrbios, entre estas 190 agentes.

A polícia deteve mais de 240 manifestantes e mantém investigações criminais abertas contra mais de 400 envolvidos.

O primeiro-ministro, o socialista Edi Rama, reuniu-se esta segunda-feira com os altos chefes da polícia para anunciar um prémio de 2.500 euros aos agentes destacados e um aumento salarial.

Após descartar a sua demissão, Rama declarou que os manifestantes violentos precisam de "atenção psicológica" e anunciou sanções para os envolvidos na violência.