É o próprio Presidente ucraniano que repete estar disponível para se encontrar frente-a-frente com o Presidente russo, Vladimir Putin, de forma a abrir uma janela para a paz, mantendo como mediador os Estados Unidos.

A tudo isto, o Kremlin tem dito que sim, que está disponível para um tête-à-tête com Zelensky e Putin, mas o ucraniano, que tem dito ser arriscado viajar para Moscovo devido aos drones ucranianos, pode agora viajar sem problemas para a capital russa.

É que o porta-voz do Presidente da Federação Russa, Dmitri Peskov, acaba de anunciar que é uma decisão superior do Kremlin, emanada do gabinete do Presidente Putin, que o Presidente ucraniano tem "todas as garantias de segurança" para viajar até Moscovo.

O Kremlin prometeu esta quarta-feira, 23, garantir a segurança do Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, caso este se desloque a Moscovo para se reunir com o homólogo russo, Vladimir Putin, para negociar o fim da guerra.

"A posição do Kremlin sobre a possibilidade de um encontro entre ambos não mudou: o líder do regime de Kiev pode vir a Moscovo se desejar entrar em contacto connosco, e receberá todas as garantias de segurança", afirmou o porta-voz da presidência russa, Dmitri Peskov.

Numa conferência de imprensa, Peskov acrescentou que Zelensky "sabe perfeitamente quais as decisões que precisam de ser tomadas para resolver o conflito", segundo a agência russa TASS.

O porta-voz indicou ainda que Putin continua disponível para se reunir com o Presidente norte-americano, Donald Trump, embora não exista uma data prevista para um novo encontro entre os dois líderes.

"Não há detalhes sobre um eventual encontro de alto nível, mas, quanto à disponibilidade, o Presidente está preparado", esclareceu Peskov, acrescentando que Putin e Trump têm reiterado, durante as conversas telefónicas, a disponibilidade para voltarem a reunir-se, caso seja necessário.

O porta-voz sublinhou, contudo, que uma eventual cimeira deverá ser precedida de trabalho preparatório entre as equipas dos dois países.

"Realizar uma cimeira antes de o trabalho estar concluído a nível de peritos é inapropriado", afirmou Peskov, considerando que encontros sem preparação adequada são "simplesmente uma perda de tempo".

Peskov voltou também a acusar a Ucrânia de prosseguir "atividades terroristas", sustentando que não estão reunidas as condições para avançar para negociações de paz.

O porta-voz do Kremlin criticou igualmente os países europeus, em particular o Reino Unido, que acusou de promoverem posições contrárias à Rússia.

"O Reino Unido está a propagar um sentimento russofóbico e alguns países europeus, como a Alemanha e a França, estão a apoiá-lo de forma ativa", disse o porta-voz russo.

Peskov apelou ainda ao combate à desinformação, acusando as autoridades europeias de contribuírem, através das suas declarações e posições políticas, para o agravamento das tensões com Moscovo.