Neste discurso histórico, por ser o último deste mandato, e que acontece sob fortes expectativas, e perante a nova configuração do Parlamento, João Lourenço defendeu que o Estado de Direito se aprofundou sob a sua batuta, admitindo que colocar o país na rota do desenvolvimento era a sua missão histórica desde que chegou ao poder, em Setembro de 2017, mostrando-se convicto de que "Angola está em franco progresso".

Falou, contudo, em primeira linha, das dificuldades que enfrentou de imediato, como a queda abrupta do preço do petróleo nos mercados internacionais, mas não deixou que o país perdesse o Norte, lembrando que a sua bússola foram os sucessivos planos nacionais de desenvolvimento.

A execução destes, porém, foram, apontou o Presidente da República, impactadas pelas crises internacionais, flutuações do mercado petrolífero ou, especialmente, o surgimento da pandemia da Covid 19, que tesou pesadamente a capacidade dos Estados.

O Chefe de Estado afirmou, contudo, que Angola "enfrentou estas dificuldades com serenidade e responsabilidade sem abandonar a sua visão de futuro", no quadro da missão colectiva de desenvolver o país para a qual "todos são sempre chamados para contribuir".

Para isso, apontou, é fundamental combater a corrupção, e reforçar a democracia, reformar o Estado e a economia, defendendo que "Angola está em franco progresso" devido às reformas profundas, especialmente as que permitiram diluir a dependência do petróleo.

Mais à frente, neste discurso que encerra a sua presença no Parlamento nestes momentos específicos, o Presidente da República defendeu que "o Estado da Nação não se mede apenas pelo crescimento do PIB".

João Lourenço afastou-se da matemática simples e directa da economia e das finanças para sublinhar que o estado em que se encontra Angola no seu desenvolvimento mede-se essencialmente pelos avanços na melhoria das condições sociais dos cidadãos.

Mede-se, frisou, "pelo número de famílias que passaram a viver melhor, pelos jovens que chegam ao mercado de emprego, pela segurança na saúde, pelos agricultores que conseguem escoar os seus produtos, pelos cidadãos que cada vez mais olham para o Estado como um parceiro facilitador e com menos burocracia...".

João Lourenço destacou, aliás, os resultados do programa de privatizações, que "permitiu reduzir a presença directa do Estado na economia e dinamizar o mercado de capitais, no âmbito das reformas económicas implementadas no País.

Mas João Lourenço dedicou alguns minutos às finanças públicas, destacando a reorganização do sector, através do "combate aos desequilíbrios acumulados ao longo dos anos", da revisão dos subsídios, da melhoria da gestão da dívida pública, da alteração das regras cambiais, do reforço da arrecadação fiscal e do controlo da despesa e das contas públicas.

O Chefe de Estado destacou igualmente as melhorias no sector da Saúde, salientando que foram construídas 736 unidades sanitárias entre 2017 e o primeiro trimestre de 2026, elevando a rede nacional de saúde de 2.612 para 3.348 unidades.

O reforço das infra-estruturas foi acompanhado pela formação e capacitação dos recursos humanos, com vista a tornar os serviços de saúde mais humanizados, resilientes e preparados para responder aos desafios sanitários actuais e futuros, sublinhou João Lourenço, realçando que Angola conta actualmente com 3.093 postos e centros de saúde, além de 172 hospitais municipais.

A entrada em funcionamento de novas unidades hospitalares de referência, com particular incidência na província de Luanda, entre as quais o Complexo Hospitalar Pedro Maria Tonha "Pedalé" e o Hospital dos Queimados Presidente Julius Nyerere, foram igualmente destacados por João Lourenço, que deu relevância aos investimentos do Executivo na investigação científica, na transformação digital e na adopção de tecnologias avançadas de diagnóstico e tratamento, nomeadamente a cirurgia robótica, para modernizar os cuidados de saúde em Angola.

O reforço dos recursos humanos foi também destacado pelo Prresidente, que avançou, que, nos últimos quatro anos, foram integrados 28.429 novos profissionais de saúde, elevando para 106.791 o número total de trabalhadores do sector, erstando em marcha um concurso público para a integração de mais 6.000 profissionais de saúde.