Esta terça-feira, 22, durante a conferência de impensa convocada para falar sobre o processo da sua pré-candidatura, garantiu não estar à procura de um cargo mas para "apresentar ideias diferentes para o MPLA".
"Eu penso que podemos ir mais além. E há outras formas, daí que eu diga que eu tenho ideias diferentes e que as quero introduzir dentro da estrutura quando lá estiver", afirmou.
O general na reforma reafirmou que não se envolveu nesta luta pela liderança do partido para dividir. "É para somar", declarou, garantindo que vai continuar, apesar do chumbo da providência cautelar apresentada junto do Tribunal Constitucional.
"Prosseguirei sempre. Os meus objetivos são os mesmos, não os mudei. Eu acredito que é possível. Juntos é possível", declarou, defendendo que a disputa pela liderança não deve resultar numa divisão interna.
O político lembrou que no dia 02 de Junho de 2025, comunicou pessoalmente a decisão de se candidatar à presidência do MPLA ao actual líder João Lourenço, num encontro que decorreu de forma "respeitosa" e na presença, do secretário-geral do MPLA, Paulo Pombolo, da militante Ângela Bragança e de Jú Martins.
Naquela ocasião, lembrou, manifestou o seu "profundo respeito" pelo presidente do partido, pelo passado deles comum e, sobretudo, pelos estatutos e o regulamento do MPLA.
"Foi uma decisão tomada dentro das regras que o próprio partido estabeleceu. Não solicitei autorização ou aprovação, comuniquei apenas a minha decisão ao presidente do meu partido. Por isso não escondi a minha surpresa quando, uma semana depois, estando eu fora do País em missão de serviço, essa decisão foi tornada pública através de uma cadeia televisiva pelo próprio presidente do partido, num tom e numa forma que não correspondiam ao diálogo que havíamos mantido", frisou.
"Se abrimos espaço para múltiplas candidaturas, estávamos verdadeiramente preparados para aceitar a pluralidade que essa decisão implica?, se somos uma organização política que se quer preparar para os desafios do futuro, estamos preparados para ouvir a crítica, aceitar diferença e respeitar o contraditório", perguntou.
Questionado pelos jornalistas se desde que iniciou este processo já esteve com o Presidente João Lourenço, Higino Carneiro respondeu que o último encontro foi no mês de Junho do ano passado.
"Eu não tenho problemas com o camarada João Lourenço, estou apenas a cumprir aquilo que o partido diz sobre as múltiplas candidaturas", frisou, salientando que, se concorrer à presidência do partido, vai respeitar o vencedor.
"Não estou a fazer uma luta por uma questão pessoal porque eu estou à procura de um cargo. Eu também podia ficar tranquilo com a minha família. Mas acho, pela história que eu tenho dentro do partido, que cabe-me o direito de fazer alguma coisa pelo partido", concluiu.
A subcomissão de candidaturas do 9º congresso do MPLA havia declarado nulo, em Julho, o processo de Higino Carneiro, alegando irregularidades na documentação e nas fichas de subscrição.
Segundo o partido, foram contabilizadas 14.493 fichas, das quais 2.561 foram consideradas válidas, 9.659 não válidas e 2.273 falsas.
Recentemente o Tribunal Constitucional indeferiu a providência cautelar submetida pelo antigo general para travar a rejeição da candidatura.
Para a candidatura ao cargo de presidente do MPLA, os proponentes devem reunir o apoio de pelo menos 5.000 militantes distribuídos por todas as províncias do País, garantindo base de suporte geograficamente distribuída e representativa da estrutura nacional.
Os restantes níveis exigem entre 1.000 e 2.500 subscritores, estabelecendo escalas diferenciadas conforme a importância e alcance do cargo a ser disputado.
O 9.º congresso ordinário do MPLA realiza-se nos dias 09 e 10 de Dezembro de 2026, na cidade de Luanda. O evento decorre sob o lema "MPLA 70 anos - Compromisso com o Povo, Confiança no Futuro" e contará com a participação de 3.000 delegados vindos de todo o país e da diáspora.
