O Instituto de Meteorologia de Angola (Inamet) avançou agora com as suas perspectivas para o que resta de 2026 e os primeiros meses de 2027, onde sobressai o aviso para secas severas e chuvas anormalmente intensas.
Isto, quando ainda na semana passada um estudo divulgado pelo Climate Impact Lab, da Universidade de Chicago, EUA, aponta para um número de 450 mil mortos expectável devido ao calor extremo que se espera que venha a fustigar vários pontos do Planeta na caminhada deste Super El Niño.
Da Nigéria aos EUA, da Índia à Indonésia, o calor extremo vai gerar escassez de água, secas, falhas catastróficas na produção agrícola que sustenta largas populações nas geografias que vão ser atingidas - algumas já estão a sê-lo -, sendo urgente criar planos para, se possível, deslocar populações inteiras das zonas mais abrasivas.
E os sinais de que se trata efectivamente de algo extraordinário já são visíveis em tquase todo o mundo, com as temperaturas a baterem recordes históricos em quase todo o mundo, e com as águas do Oceano Pacífico, cujo aquecimento gera este fenómeno, a atingirem já valores nunca antes registados, continuando estes, porém, a subir.
Com o aquecimento anormal das águas do Pacífico, mudam as correntes marítimas globais, alteram-se as normas que regem os ventos planetários e as secas emergem deste caldo climático agreste com a mesma intensidade com que as inundações repentinas aparecem noutras partes do mundo.
Um desses exemplos foi já o que sucedeu há semanas na fronteira dos Himalaias, entre o Nepal e a China, com o colapso de um glaciar milenar que se sabe agora resultou do aumento local das temperaturas atmosféricas.
Os cientistas que elaboraram este relatório, citados pelos media, como o britânico The Guardian, afirmam sem titubear que o que está para chegar é "totalmente extraordinário" ao nível de um "evento Gdzilla", o monstro dinossáurio da ficção cinematográfica animada.
E esta advertência chega com um aterrador "bónus" que é a explicação de que estes 450 mil mortos esperados, resultarão "apenas" do aumento das temperaturas, porque as consequências, como fogos, avalanches... geradas por este fenómeno natural que tem sido ao longo de décadas fortemente robustecido pelas alterações climáticas geradas pelos gases com efeito de estufa.
Estes efeitos mais dramáticos serão especialmente sentidos já a partir de Outubro, e podem manter-se até Julho de 2027, apontam os autores do estudo, que colocam como áreas mais expostas em África a Nigéria e o Sudão, na Ásia, a Índia e a Indonésia, nas Américas, o Brasil e os EUA, embora regiões como a África Austral e Oriental, o sul da Europa ou o sudoeste asiático, estejam no caminho deste Super El Niño.
Como medidas que podem limitar estes efeitos catastróficos, os cientistas apontam a melhoria das previsões meteorológicas, criar ferramentas de resposta rápida para acudir a eventos extremos repentinos, planear com antecedência a ajuda alimentar e médica e, se possível, evacuar as populações mais susceptíveis de serem "esmagadas" sob os "pés" deste endiabrado Niño.
Entretanto, agora, em Angola é o Instituto de Meteorologia que prevê a ocorrência de seca no sul e sudeste e excesso de chuva no litoral do país, na época 2026/2027, devido aos fenómenos "El Niño" e o Índice do Atlântico Sul Tropical.
Segundo o Inamet, em comunicado divulgado na sexta-feira, 24, citado pela Lusa, os referidos fenómenos climáticos mundiais influenciam as condições oceano-atmosfera no território nacional e na previsão da época chuvosa 2026-2027.
O "El Niño" favorece a ocorrência do fenómeno de seca meteorológica, principalmente nas regiões sul e sudeste de Angola, e o e o Índice do Atlântico Sul Tropical (TSA, na sigla em inglês), na sua fase positiva, favorece a ocorrência de excesso de chuva no litoral de Angola, refere-se.
A época chuvosa em Angola começou oficialmente em 15 de agosto passado e decorre até 15 de maio de 2027.
Para outubro, novembro e dezembro de 2026, os índices relacionados com o "El Niño", explica o INAMET, aponta a probabilidade de ocorrência do fenómeno de seca meteorológica de intensidade moderada nas províncias do Cunene, Cuando Cubango e no sul das províncias do Moxico e Moxico Leste.
Este fenómeno climático prevê também seca meteorológica moderada e severa nas províncias da Lunda Sul, Moxico, Moxico Leste, Cuando, grande parte das províncias do Cunene e Cubango, leste da Lunda Norte e extremo nordeste do Bié em janeiro, fevereiro e março de 2027.
Quanto ao TSA, este fenómeno terá maior influência no final do próximo trimestre (outubro, novembro e dezembro de 2026) e em todo o primeiro trimestre de 2027.
O fenómeno deve favorecer a probabilidade de ocorrência de excesso de chuva nas províncias do litoral (Cabinda, Zaire, Bengo, Luanda, Icolo e Bengo e Benguela), do Oeste (Uíje, Cuanza Norte, Cuanza Sul e Huila) bem como no norte e leste do Namibe e no extremo sudoeste do Huambo.
A entidade púbica apela ainda à população a cingir-se às previsões meteorológicas e climáticas divulgadas por este organismo, na qualidade de entidade responsável por assegurar a pesquisa e prestação de serviço científico no domínio da meteorologia e climatologia.





