Nesse distante ano de 1877, os 50 milhões de mortos estimados pelos historiadores, devem-se a secas severas e cheias súbitas, tal como se aguarda que aconteça entre Outubro deste ano e Abril de 2027, mas a capacidade de ajudar as populações aflitas é muito diferente.
A diferença entre o número de vítimas de um episódio climático extremo de há mais um século e o Super El Niño deste ano (ver links em baixo) não permite mostrar qualquer distinção na severidade destes acontecimentos climáticos, apenas evidencia que a Humanidade tem hoje capacidade para impedir uma mortandade semelhante à de 1877.
De acordo com um estudo agora divulgado pelo Climate Impact Lab, da Universidade de Chicago, EUA, o número de 450 mil vítimas é apontado como expectável devido ao calor extremo que se espera que venha a fustigar vários pontos do Planeta.
Da Nigéria aos EUA, da Índia à Indonésia, o calor extremo vai gerar escassez de água, secas, falhas catastróficas na produção agrícola que sustenta largas populações nas geografias que vão ser atingidas - algumas já estão a sê-lo -, sendo urgente criar planos para, se possível, deslocar populações inteiras das zonas mais abrasivas.
E os sinais de que se trata efectivamente de algo extraordinário já são visíveis em tquase todo o mundo, com as temperaturas a baterem recordes históricos em quase todo o mundo, e com as águas do Oceano Pacífico, cujo aquecimento gera este fenómeno, a atingirem já valores nunca antes registados, continuando estes, porém, a subir.
Com o aquecimento anormal das águas do Pacífico, mudam as correntes marítimas globais, alteram-se as normas que regem os ventos planetários e as secas emergem deste caldo climático agreste com a mesma intensidade com que as inundações repentinas aparecem noutras partes do mundo.
Um desses exemplos foi já o que sucedeu há semanas na fronteira dos Himalaias, entre o Nepal e a China, com o colapso de um glaciar milenar que se sabe agora resultou do aumento local das temperaturas atmosféricas.
Os cientistas que elaboraram este relatório, citados pelos media, como o britânico The Guardian, afirmam sem titubear que o que está para chegar é "totalmente extraordinário" ao nível de um "evento Gdzilla", o monstro dinossáurio da ficção cinematográfica animada.
E esta advertência chega com um aterrador "bónus" que é a explicação de que estes 450 mil mortos esperados, resultarão "apenas" do aumento das temperaturas, porque as consequências, como fogos, avalanches... geradas por este fenómeno natural que tem sido ao longo de décadas fortemente robustecido pelas alterações climáticas geradas pelos gases com efeito de estufa.
Estes efeitos mais dramáticos serão especialmente sentidos já a partir de Outubro, e podem manter-se até Julho de 2027, apontam os autores do estudo, que colocam como áreas mais expostas em África a Nigéria e o Sudão, na Ásia, a Índia e a Indonésia, nas Américas, o Brasil e os EUA, embora regiões como a África Austral e Oriental, o sul da Europa ou o sudoeste asiático, estejam no caminho deste Super El Niño.
Como medidas que podem limitar estes efeitos catastróficos, os cientistas apontam a melhoria das previsões meteorológicas, criar ferramentas de resposta rápida para acudir a eventos extremos repentinos, planear com antecedência a ajuda alimentar e médica e, se possível, evacuar as populações mais susceptíveis de serem "esmagadas" sob os "pés" deste endiabrado Niño.
