Embaixador de Angola no Quénia acusado de "viver à grande" enquanto funcionários permanecem sem salário há cinco meses

Novo JornalPublicado 02/11/2016 10:57:00

Cerca de 30 funcionários quenianos da Embaixada de Angola em Nairobi, capital do Quénia, ameaçam levar o embaixador Virgílio Marques de Faria a tribunal, acusando-o de se recusar a recebê-los para discutirem o pagamento de cinco meses de salários em atraso, enquanto leva uma vida de luxo.

Foto: Marques de Faria (dta) a cumprimentar o Presidente queniano Uhuru Kenyatta

Segundo a edição de hoje do jornal queniano Daily Nation, o embaixador de Angola no Quénia, Virgílio Marques de Faria, está a ser alvo de forte contestação dos funcionários quenianos da representação diplomática angolana, que ameaçam mesmo processar o responsável.

Na base do litígio está a alegada recusa do diplomata em receber o colectivo de cerca de 30 trabalhadores, que reclamam cinco meses de salários em atraso.

"Os funcionários alegam que o embaixador faz vida de rico num dos hotéis mais caros de Nairobi, apesar de não pagar aos funcionários quenianos", escreve o Daily Nation, acrescentando que também há quadros angolanos à espera dos vencimentos.

A situação de incumprimento levou os quenianos a entregar uma carta a Marques de Faria, datada de 30 de Outubro, em que apelam à regularização salarial, sensibilizando o diplomata para as dificuldades que têm atravessado, nomeadamente para suportar os gastos com alimentação, renda e educação.

Na missiva, citada pelo jornal queniano, os funcionários recordam uma reunião que tiveram com o embaixador no início de Setembro, na qual receberam a garantia de que o problema seria resolvido no princípio de Outubro.

"Infelizmente, os contínuos atrasos arrastaram-se até ao final de Outubro sem qualquer tipo de explicação", lê-se na mensagem dos trabalhadores, segundo a qual apenas um dos salários em atraso foi pago.

Os queixosos lamentam ainda que Marques de Faria tenha instruído os Recursos Humanos para que as reclamações sejam discutidas individualmente, exigência que, dizem, pretende apenas coagir os mais vulneráveis à pressão, esvaziando a posição de grupo.

O impasse levou o colectivo a lançar um ultimato: se até sexta-feira, 4 de Novembro, não tiverem uma resposta, vão solicitar apoio para agir judicialmente.

Confrontado pelo Daily Nation com este cenário, o embaixador, segundo cita a publicação, disse não ter explicações a dar. "Por que estão preocupados com o que se passa cá dentro [da embaixada]? Vocês não são meus funcionários", despachou o diplomata, antes de rematar: "Escrevam o que quiseram".

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