Morreu Leonard Cohen, o músico das palavras com alma e dos poemas cantados com soluções para o mundo

Novo JornalPublicado 11/11/2016 10:19:00

Leonard Cohen, músico e poeta canadiano, autor de algumas das mais conhecidas e aplaudidas canções desde a década de 1950, morreu na quinta-feira, aos 82 anos.

O anúncio da morte de Cohen foi feito na sua página do Facebook pelo seu agente, onde escreveu a frase: "É com profunda tristeza que informamos que o poeta, compositor e artista lendário Leonard Cohen morreu".

Leonard Cohen acabara de fazer 82 anos a 21 de Setembro, data que assinalou ainda o seu 14º e último álbum, "You Want It Darker", onde o autor aproveitou para mostrar o seu pensamento sobre questões como a mortalidade envolvida por questões religiosas em torno de Deus.

O músico e poeta nasceu em 1934, no seio de uma família judaica, em Montreal , no Canada, e escreveu os primeiros poemas ainda com 16 anos, mas foi em 1967 que publicou o primeiro álbum, "Songs of Leonard Cohen", com 33 anos.

Na estrada deixou ainda kais 13 albuns e livros, poesia e romances, como "Let us compare mythologies" (1956), "O Jogo preferido", (1963), editado em português, ou ainda "Flowers for Hitler" (1964).

"Hallelujah.", "Suzanne" ou "So Long Marianne" são algumas das suas músicas mais conhecidas.

Como relembra a Lusa, aos 77 anos, foi distinguido com o Prémio Príncipe das Astúrias das Letras pelo "imaginário sentimental" da escrita e da música, justificou o júri.

No mesmo ano, em 2011, foi galardoado com o 9.º Prémio Glenn Gould, atribuído de dois em dois anos a artistas que contribuam para enriquecer a condição humana e representem os valores da inovação, inspiração e transformação.

Apesar da idade, estava mais ativo desde 2008, quando iniciou uma nova digressão internacional, depois de uma ausência de 15 anos, e editou o álbum "Old Ideas" (2012).

Em 2014, lançou o álbum "Popular Problems", que aborda preocupações e dilemas do mundo atual.

Sobre este álbum, marcado pela sua voz cavernosa e grave, Leonard Cohen afirmou que é atravessado por um sentimento identificável por todos: "Toda a gente sofre e toda a gente luta por ser alguém, por ser reconhecido. É preciso perceber que a luta de um é igual à luta de qualquer outro; e o sofrimento também. Creio que nunca se chegará a uma solução política se não se perceber esta ideia".

Questionado se uma canção pode oferecer soluções para problemas políticos, respondeu: "Eu penso que a canção é, ela mesma, uma espécie de solução".

Cohen foi precedido na morte, em Julho, por Marianne Ihlen, a norueguesa com quem viveu na ilha grega de Hydra e que inspirou "So Long, Marianne".

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