Conclusões do inquérito às mortes no Girabola: Associação de Futebol do Uíge, clube Santa Rita, gestora do estádio e Polícia partilham culpas

Novo JornalPublicado 30/03/2017 15:47:00

A Comissão de Inquérito ordenada pelo Ministério da Juventude e Desportos à tragédia no estádio 4 de Janeiro, no Uíge - onde 17 pessoas morreram e outras 59 ficaram feridas no jogo de abertura da presente edição do Girabola -, concluiu que o incidente resultou da descoordenação e negligência das várias entidades envolvidas na organização da partida, nomeadamente a Associação Provincial de Futebol (APF) do Uíge, a Polícia Nacional, a equipa do Santa Rita FC e a Kipe-investimentos, gestora do estádio.

Foto: DR

"Do sucedido, a Comissão de Inquérito entende que têm grandes responsabilidades no incidente, a APF-Uíge, o Clube Santa Rita, a Empresa Gestora do Estádio e a Polícia Nacional, pelo que os órgãos competentes devem responsabilizar cada um segundo a gravidade dos factos", apontou o vice-governador do Uíge para o Sector Económico e Produtivo, Carlos Mendes Samba.

Falando na apresentação dos resultados da investigação, conhecidos ontem, 48 dias depois da tragédia - ocorrida a 10 de Fevereiro, no jogo de abertura da presente temporada do Girabola -, o governante enumerou as falhas apontadas a cada uma das entidades responsáveis.

No caso da Kipe-investimentos, empresa gestora do estádio 4 de Janeiro, tinha sob seu encargo a entrega das chaves dos portões à equipa do Santa Rita FC, que por sua vez deveria abri-los com antecedência, factos não confirmados.

A comissão concluiu também que o mau clima instalado entre APF e o Santa Rita FC esteve na origem da descoordenação e irregularidades verificadas no processo preparatório para a realização do jogo.

Um dos reflexos dessa desorganização foi a forma como os ingressos foram comercializados.

"O Santa Rita FC não vendeu os bilhetes com 72 horas de antecedência e comercializou-os em locais inapropriados, dentro do perímetro de segurança da Polícia Nacional ", destacou o vice-governador.

Já em relação à actuação da Polícia Nacional, o inquérito constatou que o superintendente-chefe Manuel Lopes Carvalho, indicado para coordenar o plano de protecção e asseguramento, não ordenou, por imperativo de segurança, a abertura do portão em direcção à Bangola do Norte e outros, da mesma forma que não antecipou a "avalanche" de adeptos que acorreram ao recinto.

Por outro lado, o responsável permitiu que a venda dos bilhetes decorresse no perímetro de segurança criado.

Os investigadores não confirmaram porém que os agentes tivessem utilizado gás lacrimogéneo contra os adeptos, juntando às conclusões algumas recomendações, a começar pela construção de um novo estádio na sede do município.

A comissão sugeriu igualmente o reforço da presença da Polícia Nacional na província, não só em termos de recursos humanos, mas também ao nível de meios técnicos, através da aquisição de viaturas, baias, pórticos e dectectores de metais, para melhorar o desempenho no asseguramento das actividades desportivas e não só.

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