União Africana: o "clube exclusivo para proteger presidentes", segundo Mo Ibrahim

Novo JornalPublicado 09/04/2017 11:53:00

A intenção da União Africana de criar uma instância judicial própria em substituição do Tribunal Penal Internacional - que acusa de perseguir os dirigentes africanos -, revela, aos olhos do presidente da Fundação Mo Ibrahim, que a organização funciona "como um clube exclusivo de presidentes cujo único objetivo é protegerem-se".

Foto: DR


Em Marrocos para o "Fim-de-Semana da Governação Ibrahim", que termina hoje, 9, na cidade de Marraquexe, o milionário sudanês Mo Ibrahim, cuja fundação homónima promove a boa governação em África, criticou o anunciado boicote da União Africana ao Tribunal Penal Internacional.

"A União Africana devia deixar de se comportar como um clube exclusivo de presidentes cujo único objetivo é protegerem-se. Vá lá, isso já não funciona", disse o empresário, num debate com o antigo secretário-geral das Nações Unidas Kofi Annan.

Para o sudanês, a intenção da União Africana de criar um Tribunal Africano em substituição do Tribunal Penal Internacional é incompreensível e despesista.

"É um enorme custo, em dinheiro e recursos. Não pode acusar presidentes, ministros. Os nossos pescadores, os nossos taxistas, podem ser tratados num tribunal normal. Por que é que vão criar um tribunal diferente? Qual é o objectivo? É uma abordagem ridícula, infelizmente", sublinhou.

Primeira Página